O preço do etanol subiu de novo e a procura por ele continua caindo na capital paraense. Basta passar meia hora em um posto de gasolina, cerca de 80% dos carros que abastecem preferem a gasolina. O preço médio do produto, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA), fechou o mês de abril em R$2,51. Em janeiro, a média era de R$2,39 o litro, o reajuste já chega a 7,49% nos quatro primeiros meses do ano.
Em Belém nem todos os postos de combustível oferecem etanol e naqueles que ainda tem, a reclamação do preço é geral. “Tá caro, só abasteço com álcool porque o meu carro roda mais com ele, mas o valor não está bom, não”, comenta o motorista Jean Givone. Na tentativa de equilibrar os preços do produto, o Governo Federal autorizou desde o dia 1° de maio o aumento da mistura do Etanol a Gasolina, de 20% para 25%.
Segundo o diretor do Sindicombustiveis, Ovídio Gaspareto, o motivo é agrícola. “O álcool tem safra, entressafra e por isso estava mais caro, mas esse período deveria ter acabado no final de março. Mas as chuvas em São Paulo continuaram, o que atrapalhou o plantio, por isso o preço continuou subindo”, comenta. Mesmo assim ele, que também é dono de posto, afirma não haver vantagens na venda do etanol em Belém. “No meu posto não vendo etanol porque ele não chega no Pará em valor que compense, que seria a pelo menos 30% menor que o valor da gasolina, já que ele rende 30% menos que ela”, afirma.
O Etanol não é produzido no Pará, o Estado importa de São Paulo, onde ele tem um dos preços mais baixos do país. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina em São Paulo é R$1,98, em Goiânia é R$1,99 e em Cuiabá R$1,94. Para o Consultor de Combustíveis e Gás, Francinaldo Oliveira, o preço só será satisfatório quando o Pará começar a produzir Etanol. “Nunca tivemos etanol em condições de abastecer, porque há um decreto desde o Governo Lula que proíbe a produção e plantação de cana na Amazônia Legal. E exportando vamos continuar pagando caro. Atualmente já tem um projeto de lei que muda isso, mas ainda está em tramitação”, explica.
As pesquisas realizadas pelo Dieese, em postos da capital no mês de abril, mostraram novas altas: o litro do Etanol foi comercializado em média em a R$ 2,526. O menor preço encontrado foi de R$ 2,390 e o maior R$ 2,761.
(Diário do Pará)
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