Homens da Força Nacional e da Polícia Militar do Pará chegaram ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte na tarde desta sexta-feira (3) para cumprir mandado de reintegração de posse. Mas o mandado judicial não foi cumprido. O canteiro de Belo Monte, onde ficarão as turbinas, está ocupado desde esta quinta-feira (2). Por meio de nota, a Norte Energia, empresa responsável pela operação da usina, e o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) confirmaram que a ocupação do Sítio Belo Monte continua.
Os manifestantes, indígenas, ribeirinhos e pescadores, lançaram nesta sexta-feira nova carta reafirmando a pauta reivindicatória. No documento, eles afirmam que não querem negociar com o CCBM, nem com a Norte Energia. "Nós estamos aqui para dialogar com o governo. Para protestar contra a construção de grandes projetos que impactam, definitivamente, nossas vidas" afirmam num trecho.
O Sítio Belo Monte, da usina, está ocupado e com as atividades paralisadas desde esta quinta-feira. Os ocupantes querem regulamentação da consulta prevista na convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a suspensão "imediata de todas as obras e estudos relacionados às barragens nos Rios Xingu, Tapajós e Teles Pires".
No mesmo dia, por medida de segurança, o CCBM, de acordo com a assessoria, suspendeu as atividades no canteiro. Como quinta-feira era dia de pagamento do pessoal do canteiro, trabalhavam apenas os funcionários da área corporativa. Em nota, a Norte Energia e o CCBM, disseram que as reivindicações apresentadas pelos manifestantes estão fora do âmbito das competências da empresa, muito além de uma pauta referente à Usina Hidrelétrica Belo Monte. Para resolver o impasse, a empresa informa que "já contatou os órgãos governamentais envolvidos nos assuntos da pauta dos ocupantes e confia numa desocupação o mais rápido possível da área".
NOTA
Através de nota, a Norte Energia informa que o contigente da Força Nacional de Segurança, juntamente com a PM, está presente no canteiro no intuito de preservar o patrimônio da obra e, principalmente, a integridade física dos cerca de 4 mil trabalhadores alojados no canteiro.
O sitio Belo Monte esta ocupado atualmente por cerca de 100 indígenas, sendo 60 homens e 40 mulheres e crianças. A maioria da etnia munduruku da região de Itaiuba (PA), município localizado a cerca de 1.000 km de Altamira.
"Vale ressaltar que a pauta de reivindicações desses indígenas é apenas uma: paralisar completamente todas as obras hidrelétricas na região amazônica, incluindo Belo Monte, Teles Pires e os estudos de viabilidade das usinas no Tapajós", diz a nota.
Segundo a Norte Energia, duas pessoas não indígenas foram intimadas a deixar o local, com base em decisões judiciais.
(DOL, com informações da Agência Estado)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar