Um aparelho cada vez mais útil para que as pessoas possam se comunicar, mas que tem se apresentado como uma constante ameaça à segurança de motoristas e pedestres que compõem o trânsito da capital paraense. Somente no ano passado, a Autarquia de Mobilidade Urbana de Belém (Amub), antiga CTBel, aplicou 14.730 autos de infração à motoristas flagrados conversando ao celular enquanto dirigiam. Por dia, são 40,35 multas.
Até então, a infração é considerada média, vale quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e custa R$ 85,13 ao bolso do condutor. No Congresso Nacional, desde janeiro, se discute a reclassificação da infração para grave. Ao atender o celular enquanto dirige, o motorista coloca em risco a própria vida e de outras pessoas, pois a ligação pode afetar a sua concentração no trânsito e provocar acidentes, inclusive, com vítimas fatais.
Pelas ruas da cidade não é difícil flagrar um condutor, seja de carro ou de motocicleta, falando ao celular. Num intervalo de tempo de aproximadamente 20 minutos em que a reportagem ficou no cruzamento da Avenida Almirante Barroso com a Travessa Lomas Valentinas, no bairro do Marco, flagrou quatro motoristas falando ao celular enquanto dirigiam pelo local. Um destes condutores era uma mulher.
O agente de aeroporto Diego Magno, 23, admite que costuma atender a chamada quando percebe que é alguém que considera importante na linha. “Mas não é uma prática comum. Quando faço procuro saber logo do que se trata e caso não seja algo urgente desligo e retorno a ligação depois”, comentou.
Questionado se sente seguro para atender as chamadas enquanto dirige, Diego responde que somente se estiver parado em algum semáforo ou em engarrafamento. “Se não for nessas condições, atendo às pressas mesmo e desligo”, frisou.
De acordo com a superintendente da Amub, Maísa Tobias, apesar do número de infrações por dirigir falando ao telefone ser considerado alarmante, ainda não representa a maior incidência de multas aplicada pelos agentes de trânsito. “Avançar o sinal vermelho e estacionar em locais não permitidos continuam sendo as maiores infrações dos motoristas de Belém”, atentou.
A fiscalização é feita pelos próprios agentes de trânsito que flagram o motorista desrespeitando as leis de trânsito. “Alguns condutores tentam se beneficiar do uso da película nos carros, mesmo assim é possível ver o motorista com o celular no ouvido”, comentou.
Questionada se atender as ligações por meio de fones de ouvido também pode gerar infração, Maísa ressalta que esta modalidade está em fase de estudo pelas autoridades de trânsito, bem como a utilização de aparelhos de TV no interior dos automóveis.
No Congresso Nacional, a Comissão de Viação e Transporte aprovou, em janeiro deste ano, a reclassificação de média para grave a penalidade da infração para quem dirige conversando ao celular. Desta forma, o valor passará de R$ 85,13 para R$ 127,69. Os pontos na CNH também vão aumentar, indo de 4 para 5 pontos. O projeto está em fase de análise pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, na Câmara dos Deputados.
(Diário do Pará)
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