Os cerca de 200 Indígenas e ribeirinhos desocuparam, na noite desta quinta-feira (9), o principal canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte no município de Vitória do Xingu, no Pará, que estava sob comando dos manifestante há oito dias.
Segundo informou à reportagem do DOL o líder indígena Valdenir Munduruku, a saída dos ocupantes foi pacífica e se deu principalmente pela decisão do Tribunal Regional da 1º Região (TRF-1), que suspendeu por 24h o mandado de reintegração de posse concedido à empresa Norte Energia e ordenou a saída dos indígenas neste mesmo período.
“A Força Nacional tomou conta da entrada do canteiro e nos privou de várias coisas: primeiro impediram a entrada dos repórteres que estavam cobrindo o nosso protesto, depois dos advogados que estavam prestando assessoria jurídica para a gente e por fim não estavam mais deixando entrar comida, fogão e gás na ocupação, o que atrapalhou a nossa manutenção no local. Porém, o que pesou mais foi essa reintegração de posse expedida pela Justiça. Saímos para mostrar para a opinião pública que nós não queremos criar conflitos e sim a garantia do nosso direito a sermos ouvidos antes da construção de barragens nas nossas terras”, defendeu a liderança.
Apesar de encerrada a ocupação, Valdenir Munduruku afirmou que a luta dos indígenas vai seguir. “Estamos revoltados e nos sentindo desrespeitados pelo governo da Dilma, ainda mais quando utilizam da Força Nacional para passar por cima dos nossos direitos. No entanto, nós vamos conversar com todas os índios e organizar novos protestos”, disse.
O DOL entrou em contato com a Norte Energia, que enviou uma nota oficial informando que a saída dos indígenas foi pacífica e que a empresa “providenciou transporte, com segurança, para o destino final dos indígenas até as aldeias na região do Tapajós”.
A Norte Energia ainda informou que com a desocupação, as atividades no canteiro de obras serão retomadas no primeiro turno desta sexta-feira (10).
A OCUPAÇÃO
Aproximadamente 200 indígenas dos povos Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara, além de pescadores e ribeirinhos, ocuparam o principal canteiro de obras de Belo Monte no último dia 2 de maio, reivindicando a suspensão da obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e dos estudos de campo e as operações policiais nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires, até que a lei que regula a consulta prévia aos povos indígenas seja regulamentada e os povos afetados ouvidos.
Na noite da quarta-feira (8), o TRF-1 expediu reintegração de posse do canteiro ocupado, liberando o uso de força policial. Nesta quinta-feira (9), o Ministério Público Federal solicitou à desembargadora federal Selene Maria de Almeida que suspendesse a ordem de reintegração e que fosse incentivada uma solução negociada.
O Tribunal Regional da 1º Região (TRF-1) suspendeu o mandado de reintegração de posse esta noite, por 24 horas, ordenando que os indígenas e ribeirinhos desocupassem o canteiro neste período, o que foi feito pelos ocupantes.
(Felipe Melo/DOL)
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