Chegou tarde o leito de UTI para a pequena Maria Vitória da Silva Pinheiro de apenas sete meses. A menina internada com um quadro grave de pneumonia não resistiu a quatro dias de espera (após confirmação do diagnóstico) e faleceu no fim da tarde de quarta feira. O corpo foi sepultado ontem sob a indignação de familiares e amigos que culpam o hospital e Maternidade Modelo de Ananindeua pela morte precoce da criança.
“Eu não acredito, eu tenho um laudo que comprova. A minha filha morreu por um procedimento errado realizado no Modelo. No momento da intubação, eles perfuraram o pulmão da minha bebê e quando conseguiram um leito de UTI em outro hospital já foi tarde”, afirma a mãe da menina, Laise Félix.
Maria Vitória e a irmã gêmea Maria Clara deram entrada no hospital de Ananindeua no dia 30 de abril com sintomas de ‘virose’. O quadrou agravou-se e no sábado a avaliação do pediatra constatou que as crianças estavam na verdade com pneumonia e por isso precisariam ser transferidas para um leito de UTI.
Começava o martírio da família. De acordo com a mãe, mesmo dispondo de um plano de assistência de saúde, não se encontravam vagas disponíveis pela cobertura. “O Iasep que é quem administra o Pas chegou ao absurdo de dizer que nós tínhamos de procurar por conta própria um hospital que nos aceitasse. É um absurdo isso porque todo mês o dinheiro é descontado do meu marido, mas na hora que a gente precisa acontece isso. Ficamos sem assistência”, reclama.
A transferência necessária só aconteceu na terça feira. Maria Clara deu entrada no hospital Mamaray, às 10h, e Maria Vitória, às 17h. Menos de 24 horas depois, Vitória morreu. “Minha bebê chegou ao hospital (Mamaray) com o pulmão sangrando. Eles (hospital Modelo) erraram no procedimento, faltaram com equipamentos e eu terminei assim, sem uma das minhas filhas e com a outra ainda internada na UTI”, emociona-se a mãe. “Eu só quero que isso não se repita mais. Que nenhuma família passe pelo que estou passando agora e que tanto o hospital quanto o Iasep sejam responsabilizados. Eu fui para o hospital pensando que era um local seguro. Eu acreditei na equipe médica e eu perdi a minha filha”, lamenta Laise.
NOTA
Em nota oficial, o Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Pará (Iasep) informou que após o recebimento da primeira solicitação de leito para internação das crianças buscou disponibilidade de vagas em todos os hospitais credenciados pelo plano e até mesmo na rede pública, mas esbarrou na carência de leitos de UTI neonatal em toda a região.
“Buscando a melhoria desses serviços, o Iasep está incentivando os grandes hospitais do estado a abrir novos leitos que possam atender essa demanda, garantindo a compra imediata desses serviços. Somente a oferta de mais leitos pela rede privada seria capaz de suprir uma necessidade que hoje é realidade nacional”, justifica a nota. O Iasep, esclareceu, entretanto, que a Central de Leitos disponibilizou os leitos na segunda feira (6) e que o atraso de um dia pode ter sido causado por problemas entre hospitais já fora da competência do órgão.
A reportagem tentou ouvir durante toda a manhã de ontem, o hospital e maternidade Modelo de Ananindeua, mas não teve sucesso. No número de telefone disponibilizado na internet, nenhum funcionário atendeu.
(Diário do Pará)
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