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Gripe já preocupa empresas e escolas

No começo, tosse e espirros. Depois, dor de garganta, febre e mal estar. O tempo é de cuidado redobrado com a gripe, um mal que afeta anualmente, em todo o mundo, cerca de 600 milhões de pessoas, sendo de 7 a 14 milhões apenas de brasileiros economicament

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No começo, tosse e espirros. Depois, dor de garganta, febre e mal estar. O tempo é de cuidado redobrado com a gripe, um mal que afeta anualmente, em todo o mundo, cerca de 600 milhões de pessoas, sendo de 7 a 14 milhões apenas de brasileiros economicamente ativos que em casos mais graves acabam precisando se afastar de suas funções no trabalho. “As pessoas costumam pensar: ‘Ah, é só uma gripe’, mas, quando é forte mesmo, não tem jeito, a gente fica de cama”, resume a funcionária pública Natasha Rodrigues, 26 anos, que vê a sala, onde normalmente trabalham nove pessoas, esvaziar-se diante do surto da doença que se alastrou na capital paraense nos últimos dias.

Há duas semanas e meia apresentando os sintomas da doença, a própria Natasha foi uma das servidoras que precisaram se ausentar da repartição. “Foram três dias sem conseguir levantar. Devagar, tenho me esforçado para retomar a rotina”. Ar condicionado, janelas e portas fechadas e a circulação de muitas pessoas ajudam a explicar a origem do problema. No decorrer do mês de abril, ninguém ao lado de Natasha escapou. “Eu peguei primeiro, mas melhorei rápido. Depois disso, foi uma reação em cadeia. Todo mundo pegou e eu, que já tinha ficado bem, fiquei muito mal de novo”, relembra.

Funcionária de uma padaria no bairro de Canudos, Lucilene Gama é outra que também não conseguiu manter a assiduidade no trabalho. Desde o aparecimento dos sintomas, no meio da semana passada, ela diz não ter força para a rotina diária de oito horas atrás do balcão. “Não é só o nariz ‘escorrendo’. É uma moleza no corpo todo que não passa”, revela com rouquidão a balconista, que ainda não vislumbra a retomada ao batente. No trabalho, dos sete companheiros, cinco tiveram gripe no último bimestre. Destes apenas um conseguiu não faltar nenhum dia. “O trabalho acaba acumulando. A gente tem que ir se ajudando porque não é corpo mole, é doença mesmo”, reflete Lucilene.

PREJUÍZOS

Pesquisas internacionais indicam que o prejuízo decorrente das faltas ao trabalho, ou de internações de funcionários contaminados pelo vírus da gripe, chega à ordem de 3,5 bilhões de dólares anuais. No Brasil, não há estudos que ilustrem o problema, mas em países como França, Alemanha e Estados Unidos as estimativas apontam perdas que variam entre US$ 1 e US$ 6 milhões a cada grupo de 100 mil habitantes. É diante desse impacto sobre a produtividade que muitas empresas optam pela realização de campanhas internas de vacinação. “Grandes empresas em todo o país realizam campanhas desse tipo. Com o trabalhador imunizado, a gente reduz, claro, o absenteísmo, mas vai além. O empregado sadio tem minimizado os gastos com remédios e consultas médicas e, principalmente, tem um convívio social melhor.

Afinal, quem está gripado acaba ficando isolado no ambiente de trabalho”, analisa Cléa Mendes, gerente do departamento de Recursos Humanos do Grupo RBA, que, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), no início da semana, levou a chance de imunização aos cerca de 600 funcionários da rede em Belém. “O período do chamado inverno amazônico é caracterizado pelo ‘boom’ da gripe e, consequentemente, pelo aumento do número de atestados médicos. É realmente uma situação que preocupa o departamento de Recursos Humanos”, admite a gerente. Em dois dias de campanha, cerca de 85% dos colaboradores do grupo foram vacinados.

Vinculada ao Programa de Promoção da Segurança, Saúde e Qualidade de Vida do Trabalhador da Indústria, outra iniciativa é a desenvolvida pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) há quatro anos. A Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe na Indústria Brasileira, vacinou apenas no ano passado 466 mil trabalhadores. “A campanha nacional de vacinação do Ministério da Saúde realizada em todo o país anualmente tem como foco a população mais vulnerável, por isso o Sesi resolveu desenvolver uma campanha específica para o trabalhador da indústria.

Não há limitação de idade, mas é uma consequência, nosso público-alvo é a população economicamente ativa”, explica José Nelson Conceição, gerente de Saúde do Sesi Pará. “Para este ano, a meta inicial era vacinar 900 mil pessoas, mas, como temos uma aceitação enorme entre as indústrias, já superamos esse número com o cadastramento de 1,2 milhão de trabalhadores”, comemora Conceição. A ação teve início pela região Sul do país e chega ao Norte este mês. Para a indústria paraense foram encomendadas 7 mil doses.

Quadro da doença exige cuidados

Como no trabalho, as escolas - especialmente às dedicadas à educação infantil – também sentem na sala de aula o poder da gripe. Coordenadora de uma escola particular localizada no bairro de Val-de-Cães, Mirella Aguiar, diz que esta época do ano as ausências causadas por resfriados ou gripes se multiplicam, exigindo cuidados redobrados. “Não há um número exato, mas não há uma sala de aula que não se encontre uma criança gripada ou uma cadeira vazia por causa da doença”, relata a educadora. “Para evitar o contágio, a gente sempre orienta os pais a deixarem seus filhos em casa quando o quadro é mais grave e na escola estimulamos a perfeita higiene das mãos”, destaca Mirella.

Mãe do pequeno Gabriel Lucas, de dois anos e meio, Marisabel Dias, 26 anos, não leva o filho à escola há duas semanas. “Ele estava indo pra escola normalmente, mas todas as crianças griparam e ele não escapou. Levei ao pediatra para medicar e tenho evitado que ele tenha contato com outras pessoas”, diz a professora de dança.

Médica infectologista, Helena Brígido, explica que a gripe obedece a um ciclo variável. De acordo com a quantidade virótica presente no organismo e da imunidade de cada um, a doença pode se estender por até duas semanas e abrir portas para doenças mais graves, como uma pneumonia, por exemplo. “As pessoas tendem a subestimar a gripe, sem se dar conta de que, uma vez instalado, o quadro viral pode evoluir e agravar o estado de saúde de pacientes mais vulneráveis como crianças, grávidas, diabéticos”, alerta a especialista. “O vírus ataca nariz e garganta, atingindo funções vitais como respiração e alimentação, deixando o paciente menos resistente e, consequentemente, mais vulnerável à outras infecções”, explica.

(Diário do Pará)

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