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Casos de gripe A disparam de novo no Pará

Uma nova onda de gripe por H1N1 parece ter começado no Pará. Dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) revelam que o número de registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nos quatro primeiros meses deste ano já é o dobro da que foi

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Uma nova onda de gripe por H1N1 parece ter começado no Pará. Dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) revelam que o número de registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nos quatro primeiros meses deste ano já é o dobro da que foi registrada no mesmo período do ano passado - entre janeiro a abril, quando 61 casos de gripe grave foram confirmados e duas pessoas morreram. De janeiro a abril de 2013, a Sespa contabilizou 121 casos confirmados de SRAG e nove mortes – cinco delas provocadas pelo vírus H1N1.

Esta realidade nos faz lembrar o ano de 2010, quando o Estado liderou o ranking de casos de gripe A no Brasil. Na época, 33 mortes foram registradas, 23 somente no primeiro semestre. Atualmente, o Pará ocupa o segundo lugar em mortes provocadas pelo vírus H1N1: perde apenas para São Paulo.

PANDEMIA

Em 2009, quando uma grande pandemia apresentou ao mundo o vírus H1N1, o Pará chegou a notificar 3.133 casos suspeitos da doença, sendo que foram confirmados 815 casos e dez mortes. O primeiro caso foi de uma jovem paraense, de 18 anos de idade, que voltava de uma temporada nos Estados Unidos. No entanto, a primeira morte aconteceu em 17 de agosto daquele ano, com o falecimento de Sandra Helena Prado Reis.

No ano seguinte, em 2010, o Pará viveu a maior onda da doença e acabou por ser o estado onde mais morreram pessoas vítimas do vírus H1N1. Pelo menos 23 pessoas morreram vítimas da gripe somente nos primeiros meses daquele ano, que terminou registrando 33 óbitos por gripe grave no Pará.

Em 2011, somente 40 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave foram confirmados, segundo a Sespa. Nenhuma morte foi registrada. Em contrapartida, em 2012, duas mortes foram registradas, sendo que uma delas foi de uma mulher grávida infectada pelo vírus H1N1.

Passados quatro anos desde que chegou ao Brasil, o vírus H1N1 ainda é motivo de preocupação para os paraenses. Nos quatro primeiros meses deste ano, o número de casos disparou em comparação ao mesmo período de anos anteriores. Até o início deste mês, 122 casos de gripe grave foram registrados no Pará, enquanto que no mesmo período do ano passado o total foi de somente 61 casos contra 18, em 2011.

As mortes também aumentaram. Somente este ano, já foram nove óbitos registrados até o início deste mês. No ano passado, apenas duas mortes aconteceram, ambas em abril. Até maio de 2011 três paraenses morreram em consequência de gripe grave. Aquele ano encerrou com quatro óbitos confirmados pela Sespa.

Até então, das cinco mortes por H1N1 em 2013, quatro delas aconteceram na capital paraense. Belém já é a segunda cidade brasileira onde mais se registraram óbitos pelo vírus este ano. A primeira é São Paulo, que até a última quinta-feira, 9, havia registrado 25 mortes, segundo o Instituto Evandro Chagas (IEC). Em Tucuruí, no sul do Estado, uma pessoa também morreu pela gripe A.

A coordenadora do Departamento de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), Leila Flores, alerta para o aumento de casos de SRAG e de mortes provocadas pelo vírus Influenza A (H1N1), mas minimiza: “Até o início deste ano os índices revelam redução da infecção pelos vírus da gripe e também de mortes. O total de casos em 2011 foi menor que o de 2010. No ano passado [2012], o número de ocorrências também foi menor que o ano anterior (2011)”, ressaltou.

Para ela, o número de mortes este ano já preocupa, mas ainda não é motivo para que Belém entre em pânico. “Todo óbito nos preocupa. Não queremos que ninguém morra em consequência do vírus. Ao primeiro sinais de gripe, procure imediatamente um médico para verificar o diagnóstico”, atentou Leila Flores.

IMUNIZAÇÃO

Até então, a vacina contra a gripe é o meio mais eficaz para se prevenir contra a doença. Na última sexta, o Ministério da Saúde autorizou que as doses continuem disponíveis em unidades de saúde dos municípios que não cumpriram a meta da campanha de vacinação, que era de imunizar até 80% da população. A vacina protege contra três tipos de vírus, inclusive contra a Influenza H1N1 (causador da Gripe A ou gripe suína), contra os vírus H3N2 e o Influenza B.

Um dos problemas em relação à campanha de vacinação é que, pelo menos na região amazônica, ela acontece em um período um pouco tardio, na metade do inverno. “O ideal era iniciar a campanha em dezembro, quando começa o período chuvoso e se percebe o aumento do número de casos”, enfatiza Leila Flores.

O chefe do Laboratório de Virologia do Instituto Evandro Chagas, Wyller Melo, atenta para o fato de que as vacinas mudam a cada ano. São importadas e só chegam ao Brasil em abril, por isso que a campanha começa somente a partir deste mês todos os anos.
“Todos os centros de pesquisas reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde que estudam o comportamento do vírus, como o Instituto Evandro Chagas, só podem entregar no fim do ano o relatório que a OMS vai encaminhar para os laboratórios e então começar a produção da vacina”, explicou.

Além da vacina, Wyller sugere atenção aos outros cuidados: lavar as mãos com frequência e utilizar álcool em gel na higienização delas também é importante para se prevenir contra a doença.

Para o IEC, número de mortes anormal vem do descaso com vacina

O chefe do Laboratório de Virologia do Instituto Evandro Chagas, Wyller Melo, confirma que todos os óbitos causados pela infecção do vírus H1N1 no Pará foram de pessoas cujo perfil se enquadrava no público-alvo da campanha de vacinação. “Isto mostra que a população mais vulnerável não procurou se prevenir contra a doença. Não foram ao posto de vacinação”, alertou.

Entre as vítimas fatais da gripe por H1N1 estão uma gestante, um cardiopata, um diabético e outro que tinha doença pulmonar. Todos fazem parte do grupo de risco que precisaria ser vacinado.

O último registro de óbito pelo vírus H1N2 no Pará data do último dia 6 de maio: foi a advogada Adriana Barreto, de apenas 25 anos. Aparentemente, ela não se enquadra em nenhum grupo que faz parte da população alvo da Campanha Nacional. Porém, Melo reforça que todas as vítimas fatais do H1N1, quando não eram mulheres grávidas, se enquadravam em pacientes diagnosticados com alguma doença crônica.

O IEC é a única instituição da região Norte que realiza o exame que identifica o tipo de vírus de gripe. Por isso, todos os exames de casos suspeitos são realizados pelo seu Departamento de Virologia. Somente este ano, 238 casos notificados foram analisados pelo IEC. “Nós confirmamos a presença do vírus em 44% destes casos”, apontou Wyller.

Questionado novamente para o que pode ter contribuído para o aumento do número de casos e mortes por H1N1 em 2013, o chefe do laboratório reforça que a população paraense aparentemente deixou de se prevenir contra a doença.
“Este número de mortes por H1N1 não é normal, mas é uma prova de que a população alvo não está se vacinando”, ponderou.

(Diário do Pará)

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