Na Santa Casa de Misericórdia - maior maternidade da Região Norte - diariamente, dezenas de mulheres iniciam uma nova etapa de suas vidas e vivenciam a maternidade das mais diferentes formas. Neste domingo (12), pela primeira vez, muitas dessas mulheres terão um motivo especial para vivenciar o Dia das Mães. Um balanço das atividades do hospital aponta que são realizados, em média, cerca de 600 partos por mês.
O sonho de gerar uma nova vida faz com que muitas mulheres se preparem para a chegada da maternidade. Durante a gestação, a ansiedade do nascimento, a imaginação do rostinho do bebê, vão criando laços afetivos importantes para a futura relação entre mãe e filho. Mas a gravidez não acontece para todas as mulheres de forma planejada. Algumas, como R.M.L, 16 anos, se deparam com a maternidade de forma precoce. Na última semana, a jovem foi das mulheres atendidas pela Santa Casa.
Eram quarto da manhã quando a adolescente sentiu as primeiras dores do parto. “No início achei que era apenas uma dor na barriga, ou algo do tipo. Não achei que já estava na hora”, recorda. Duas horas depois a dor aumentou. Ainda em casa, a jovem teve uma surpresa. “Fiz um pouco de força, porque tava doendo muito. Quando vi meu filho já estava nascendo”. Ao perceber, a jovem conta que foi socorrida pelo irmão, que estava na casa. “Quando nasceu, pegamos um táxi e viemos correndo para cá”, conta.
Quando chegou à Santa Casa, mãe e criança foram socorridas pela equipe médica da maternidade. “Ainda estava com cordão (umbilical), aqui que eles cortaram”, lembra. Com oito meses de gestação, a pequena Rafaela nasceu com um pouco mais de três quilos. Apesar de não ter sido uma gravidez planejada, a jovem mãe tem planos para sua nova vida. “No começo minha família não aprovou, mas eles estão ajudando e me apoiando. Agora é preciso ter uma nova cabeça porque tem alguém que depende de mim”, comentou.
Pela segunda vez
Mesmo para quem passou mais de uma vez pela experiência do parto, a emoção é a mesma, conta a técnica de enfermagem Terezinha de Jesus da Silva, 45, que há 12 anos trabalha na maternidade da Santa Casa. Com tanto tempo observando e cuidando das novas mamães e crianças da maternidade, aos 40 anos, a servidora decidiu engravidar novamente. “Passei quatro anos tentando e quando já havia desistido veio o Lucas”, conta.
Por conta da idade, a gravidez precisou de cuidados especiais e, após o nascimento do pequeno Lucas, os cuidados precisaram ser redobrados. Ele nasceu com síndrome de Down. “Logo no pré-natal, com três meses, ele já apresentou algumas alterações na formação”, comentou a servidora. Desde então, o menino Lucas se tornou um dos xodós da equipe.
Na Enfermaria Canguru, a marajoara Mariza Barbosa, 27 anos, cuidava dos filhos pela segunda vez. Mãe de 10 filhos, Mariza aguardava os gêmeos Elias e Elieson, nascidos de sete meses, ganharem peso e receberem alta. Natural de Cachoeira do Arari, a mãe tem experiência quando o assunto é filhos gêmeos. Além dos meninos, Mariza é mãe de duas meninas, de 12 anos, também gêmeas. Ela, que já havia participado do Método Canguru, aprova o tipo de tratamento. “Para nós, mães, é um alívio poder estar sempre perto dos nossos filhos quando eles estão se recuperando”, comentou.
O método canguru é um modelo de assistência perinatal voltado para o cuidado humanizado que reúne estratégias de intervenção biopsicossocial. Consiste em promover, a partir da posição canguru, o contato pele a pele entre mãe/pai/familiares e o bebê prematuro, de forma gradual, possibilitando maior vínculo afetivo, estabilidade de temperatura do corpo da criança, estímulo à amamentação e ao desenvolvimento do recém nascido, além de menor tempo de internação, diminuição do choro e mais segurança e envolvimento dos familiares nos cuidados com o bebê.
Luciana da Silva, 27, que também participa do método, estava feliz e otimista com a recuperação do pequeno Carlos Daniel, de três meses. A criança trava uma luta pela vida. Com 20 dias de nascido, o bebê precisou passar por uma cirurgia para auxiliar no funcionamento dos rins. Desde então, Carlos Daniel passou dois meses internado. Há uma semana ele está na enfermaria. “Ser mãe é sentir amor incondicional”, afirmou Luciana. O menino, que nasceu com 910 gramas, já está com 1,5 kg.
(Agência Pará)
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