Invertendo a lógica observada no Estado do Pará, onde o câncer de colo do útero é o mais diagnosticado, o câncer de mama já é o de maior incidência e o maior causador de mortes em Belém.
Reunidos na manhã do último sábado no Workshop em Mastologia promovido pelo Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), enfermeiros, médicos e equipes multidisciplinares não apenas discutiram as questões relacionadas ao diagnóstico no Estado, como também trocaram experiências sobre as fases do tratamento.Segundo o diretor clínico do IBCC, Marcelo Alvarenga Calil, a ideia do workshop é a de contribuir com a disseminação do conhecimento em mastologia. “50 mil mulheres por ano são acometidas pelo câncer de mama no Brasil.
Destas, 12 mil morrem todos os anos em decorrência do câncer”, adianta. “É preciso que haja a conscientização dos profissionais de saúde para que seja diagnosticado o câncer antes que as lesões se tornem palpáveis”.
Segundo Marcelo, quando se trata do diagnóstico da doença, a realização de um exame específico pode contribuir para que a mulher obtenha a cura antes mesmo de o câncer começar a apresentar tais lesões. “Ainda existe um pouco de resistência à realização da mamografia pelas mulheres, mas também existe o problema da equipe de saúde não ser qualificada”, aponta, ao lembrar que, por vezes, apenas o autoexame não é suficiente para descartar a possibilidade de existência do tumor.
“O autoexame é importante para que a mulher tenha autoconhecimento, mas ele detecta apenas quando já se formou o nódulo na mama. O ideal é detectar quando ainda não apresente nenhum sintoma. Quando o câncer é identificado de início, as chances de cura são sempre próximas a 100%”.
MORTALIDADE
Ainda que o Pará ainda tenha o câncer de colo do útero como o mais comum, segundo a coordenadora estadual de saúde da mulher, da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), Michelle Monteiro, a maior incidência de câncer de mama está na capital.
“No Pará o câncer de mama é a segunda maior causa de mortalidade da doença mas, em Belém, a realidade é invertida. O Pará tem, em média, 710 casos por ano. Desses, de 40% a 50%, estão na capital”, destaca. “Precisamos buscar promover um melhor diagnóstico já na atenção básica a partir do exame clínico para que, posteriormente, essa pessoa possa ser encaminhada para o especialista”, completa a coordenadora de doenças e agravos não transmissíveis da Sespa, Marta Bouillet.
(Diário do Pará)
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