No final da tarde de domingo (13), policiais militares foram acionados para atender um caso de cárcere privado e flagraram José Roberto Gomes, de 37 anos, que mantinha presas em casa sua ex-companheira e suas duas filhas. Após isolar a casa, localizada no bairro do Curuçambá, em Ananindeua, os militares sofreram resistência por parte do suspeito em entregar as chaves da residência, que estava trancada.
De acordo com informações da mãe da vítima, a dona de casa Izabel Cristina Moura, o homem estava transtornado com o fim do relacionamento e trancou a ex-companheira e as filhas, de dois e quatro anos, obrigando a permanecerem com ele. “Eles já estavam vivendo separados. Ele chegou lá em casa dizendo que ia levar elas para comprar umas roupinhas para as crianças, que estavam precisando. Depois disso elas não voltaram mais”, contou Izabel Moura.
A mulher e as filhas viviam confinadas na casa, em um cenário de precariedade. “O lugar era horrível, sujo, e a mulher estava totalmente coagida em um canto da casa quando nós chegamos”, destacou o cabo PM Fernando. Segundo a polícia, a mulher sofria agressões constantes em poder do suspeito. Ela e as crianças passarão por exames de corpo de delito no Centro de Perícias “Renato Chaves” para comprovar as agressões.
AMEAÇAS
A vítima, de 25 anos, contou que enquanto esteve em cárcere privado foi ameaçada de morte várias vezes, e acredita que se a Polícia Militar não tivesse agido, esse teria sido o desfecho das duas semanas que passou nas mãos do ex-companheiro. “Ele dizia que eu tinha que viver com ele, que nós dois tínhamos feito as nossas filhas, e que nós dois tínhamos que ficar com elas, vivendo juntos”, relata.
Em ligações feitas para o celular da mãe da vítima, José Roberto afirmava que se a jovem não ficasse com ele, mataria ela e as crianças. “Existe a informação que ele é foragido e que já respondia por homicídio”, afirmou o cabo PM Fernando. O suspeito confirma a informação de que está foragido da Colônia Penal Agrícola Heleno Fragoso, mas diz que não ameaçou a ex-mulher de morte e nem a manteve em cárcere privado.
“Eu bati nela sim, no sábado (11), mas nós dois nos batemos por causa de briga, mas essa história de cárcere não é verdade. Todo dia eu saía para trabalhar e a casa ficava aberta, pode perguntar para os vizinhos, que eu saiba isso não é cárcere”, alegou José Roberto. Mas a Polícia Militar reforça que a mulher vivia coagida e presa. “Ela não estava amarrada, mas estava totalmente coagida com as crianças e muito machucada”, afirmou o cabo.
De acordo com o delegado, o suspeito permanecerá detido na Central de Triagem da Cidade Nova e estará sujeito a responder por três crimes – tentativa de homicídio, ameaça e cárcere privado.
A justiça também será informada sobre a recaptura dele para que seja determinada sua volta ao sistema penitenciário, onde respondeu apenas por uma parte de sua pena por homicídio.
(Diário do Pará)
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