Durante todo o dia de ontem dezenas de monitores do Centro de Internação do Adolescente Masculino (Ciam), no bairro do Sideral, em Belém, cruzaram os braços em protesto por melhores condições de trabalho. Os funcionários reclamaram da falta de estrutura, superlotação e insegurança vivida no prédio, que em menos de um mês já foi palco de uma fuga e dois princípios de motim.
“Todo mundo aqui trabalha em pleno estado de risco. Além do número de monitores que vem reduzindo cada vez mais, não temos nenhum controle sobre a segurança dos internos. A cada revista que é feita com os adolescentes são encontrados um número maior de estoques (armas artesanais), pois não podemos fazer revista nos visitantes e isso nos impede de fiscalizar o que entra e o que sai do centro”, revelou um monitor que prefere não ser identificado.
Segundo ele, a maioria dos monitores já foi vítima de agressão ou ameaçado de morte pelos internos. “Como estamos em constante contato com os internos, nós somos ameaçados de morte na cara dura, todos os dias. Tanto aqui dentro, quanto lá fora. Não temos apoio policial nem quando vamos levar os internos para uma audiência na Justiça. Como eles são levados dentro de uma Kombi, ao nosso lado, corremos o risco de ser interceptados por comparsas desses internos a qualquer momento durante o trajeto”, explicou o monitor.
Os manifestantes denunciaram também que no último sábado (11), dois funcionários da instituição foram feridos por internos com estoques feitos com louças de vaso sanitário. De acordo com funcionários, o conflito foi causado após os adolescentes não aceitarem uma medida disciplinar aplicada pela direção do centro.
Superlotação
O Centro de Internação do Adolescente Masculino tem capacidade para 60 internos, mas atualmente está lotado por 101 adolescentes infratores, que cumprem medida socioeducativa provisória na unidade. “Fora essa superlotação, também houve redução no nosso pessoal. São 14 monitores por plantão para cuidar de mais de 100 adolescentes. E como a maioria dos funcionários aqui é temporário, muitos não falam nada por medo de ser demitidos a qualquer hora. Tanto que essa paralisação está sendo feita apenas por funcionários efetivos, pois os monitores temporários são obrigados a aceitar tudo por medo de retaliação”, denunciou um monitor que esteve à frente da manifestação.
OUTRO LADO
O DIÁRIO entrou em contato com a Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), órgão responsável pelo Ciam, para falar sobre o caso. Por telefone, a assessoria de comunicação da Fasepa negou que houvesse paralisação no centro de internação e disse desconhecer a existência de um motim realizado no último sábado (11). Em relação às reivindicações apresentadas pelos monitores, a assessoria da Fasepa afirmou que enviaria uma nota explicando o posicionamento da direção do Ciam sobre o caso, mas até o fechamento desta edição nenhum documento foi enviado à redação do jornal.
(Diário do Pará)
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