O resultado de um exame sorológico, previsto para ser concluído ainda esta semana, deve confirmar a morte por dengue hemorrágica de Anderson dos Santos Oliveira, de 15 anos. A morte aconteceu no último sábado, no Hospital Municipal de Itupiranga, Sudeste do Estado, depois de quatro dias de internação.
Os pais de Anderson, Maria Cleonice dos Santos e Raimundo Jorge de Oliveira, acusam os médicos de terem indicado medicação errada. Eles reclamam também da demora em encaminhar Anderson ao Hospital Regional de Marabá.
Para Maria Cleonice, faltou informações sobre o estado de saúde do filho. “Depois de quatro dias internado, vi meu filho morrer e pedir socorro e nada pude fazer”, revolta-se a mãe. O casal procurou a imprensa. No laudo médico, emitido pelo Hospital Municipal, é declarado que Anderson foi vítima de dengue hemorrágica. O corpo do adolescente foi levado para o Estado do Tocantins, onde foi sepultado.
Procurada pela reportagem, a direção do hospital informou que ninguém da administração iria falar sobre o assunto, a não ser os médicos que cuidaram do garoto. Com uma fonte de dentro do hospital, foi confirmado que os médicos Gedeão Chaves e Rafael cuidaram de Anderson até a hora da morte. Em entrevista ao DIÁRIO, Gedeão Chaves, cirurgião e clínico geral, disse que não foi ele o responsável pela internação da vítima. Ele explicou que ao ser internado, Anderson apresentava um quadro de febre com dor abdominal e anemia acentuada, “que foi aumentando”.
Segundo Gedeão, foi feito pelo colega Rafael um diagnóstico de dengue clássica, mas posteriormente foi verificado que as plaquetas estavam muito baixas. Ainda de acordo com Gedeão, uma quantidade de sangue foi aplicada no adolescente, que em seguida passou a apresentar um quadro de hemorragia intensa, com complicações, e um diagnóstico clínico que demonstrou um caso de dengue hemorrágica.
Segundo Gedeão, ainda falta um resultado de um exame sorológico, mas clinicamente acredita-se que a dengue hemorrágica tenha tirado a vida do paciente. Questionado pela reportagem, Gideão lamentou a morte do adolescente e disse que entende a revolta da família. Ele nega, no entanto, que Anderson tenha tomado remédio errado. O médico explicou ainda que um leito chegou a ser solicitado no Hospital Regional de Marabá, na tentativa de salvar a vida do menino, mas infelizmente o leito não foi liberado a tempo. O médico reforçou que “todo esforço foi feito para salvar a vida de Anderson”. O médico Rafael não foi encontrado para falar sobre o assunto.
(Diário do Pará)
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