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Mulheres lideram ocorrências de desaparecimentos

A voz de quem desconhece o paradeiro da única filha há quase cinco meses vem acompanhada do choro incontido. Mesmo com a divulgação da foto mais recente de Stephanie Miranda Pires, de 14 anos, e o trabalho da Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) d

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A voz de quem desconhece o paradeiro da única filha há quase cinco meses vem acompanhada do choro incontido. Mesmo com a divulgação da foto mais recente de Stephanie Miranda Pires, de 14 anos, e o trabalho da Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) da Polícia Civil do Estado do Pará, a autônoma Rosângela Miranda ainda não teve a felicidade de reencontrar a filha.

Às proximidades do Dia Internacional da Criança Desaparecida, lembrado no próximo dia 25, não apenas Rosângela, mas outras 19 famílias ainda aguardam pelo momento em que encontrarão o filho desaparecido.

Sem qualquer contato com a filha desde janeiro deste ano, o apelo de Rosângela não poderia ser outro. “Eu quero que ela volte porque eu a amo muito. Ela faz muita falta”, emociona-se, ao lembrar dos acontecimentos que antecederam o desaparecimento da adolescente.

“Eu sempre falei pra ela que não queria ela na rua e ela só queria estar na rua. Nesse dia eu soube que ela não tinha ficado em casa e disse para ela que quando eu chegasse em casa a gente ia conversar. Quando cheguei em casa ela não estava e não tinha mais nenhuma roupa dela no armário, tinha levado até as roupas que eu tinha comprado pro Natal pra ela”.

O significado de se comunicar acontecimentos que possam ter desencadeado a saída de um adolescente de casa é fundamental para auxiliar as investigações que poderão trazê-los de volta.

Segundo o investigador e coordenador do Serviço de Investigação e Localização de Crianças e Adolescentes Desaparecidas da Data, Edvaldo do Carmo, a conversa com os pais é o primeiro procedimento tomado pela divisão assim que o desaparecimento de um adolescente é comunicado.

“Todos que chegam aqui não sabem muito bem o que aconteceu. Dizem que se davam muito bem com o filho, mas, com o tempo, vamos conversando com os pais e identificando situações que podem ter causado a fuga desse adolescente. Daí a importância de os pais não mentirem quando vierem falar com a gente”, destaca. “Geralmente, os problemas envolvem conflitos de família”.

Segundo Edvaldo, a grande maioria dos casos observados na divisão são de adolescentes que têm entre 12 e 17 anos e que fogem de casa por vontade própria. Apenas em 2012, foram 699 desaparecidos, apenas três não foram encontrados.

Nos primeiros cinco meses de 2013, o número de casos de desaparecimentos comunicados à Data já chegam a 279. Na maioria das vezes, os adolescentes desaparecidos são do sexo feminino. Foram 523 meninas contra 143 meninos no ano passado. “Muitos adolescentes levam celular e continuam usando, ficam nas redes sociais e também utilizamos muito a estratégia de procurar os próprios amigos dos desaparecidos para investigar. O adolescente sempre tem um amigo com quem conversa mais e que sabe onde ele está”, afirma. “Na maioria das vezes os adolescentes são encontrados em casa de amigos ou de algum namorado. Em alguns casos, conseguimos encontrar os adolescentes em alguns meses, no mesmo dia, dentro de 15 dias”.

Induzimento

Segundo o investigador, a pessoa que abriga um adolescente sem a autorização da família pode, também, responder pelas consequências disso. “Existe o chamado induzimento de fuga. Quem abriga um adolescente sem comunicar à família pode ser, no mínimo, responsabilizado por isso”, orienta. “A divulgação da foto do adolescente desaparecido também é muito importante. Temos uma parceria com uma cooperativa de taxis e três adolescentes já foram encontrados a partir daí” .

Psicóloga que trabalha no atendimento às famílias após a identificação do paradeiro da criança e do adolescente desaparecido, Andréa Costa destaca a importância do diálogo entre pais e filhos para evitar que a fuga aconteça.

Internet

“Pelo que observamos, muitos pais têm dificuldade de aceitar o filho como ele é e de lidar com a adolescência, já que a maioria dos jovens que fogem de casa é adolescente”, aponta.

“A família acaba vendo a adolescência como um problema e não como uma fase. A adolescência tem suas características e ainda há aspectos novos na adolescência hoje”.

Segundo a psicóloga, a presença constante de recursos como a internet e o celular também devem ser levados em consideração pelos pais. “Tem adolescentes que passam horas no celular, que ficam a madrugada toda na internet e os pais não sabem como impor esse limite sem ser autoritários ou agressivos. O uso excessivo da internet e do celular tem que ser olhado com cuidado pelos pais. Muitas fugas se deram através de contatos assim, pela internet”, destaca.

“Os pais precisam ter esse controle. Já tivemos casos de pais que conseguiram coibir possíveis fugas porque estavam atentos ao que o filho fazia na internet. A ausência do diálogo é muito prejudicial. Os pais têm aquela falsa sensação de segurança porque o filho está em casa, mas os pais precisam se apropriar dessas novidades (internet, celular etc.)”.

Procedimento

Atuação do Serviço de Investigação e Localização de Crianças e Adolescentes Desaparecidas da Data:

1 – Assim que é informado do desaparecimento de uma criança ou adolescente, há uma conversa com os pais para tentar identificar as possíveis causas do desaparecimento;

2 – É feita uma ocorrência do desaparecimento e são produzidos e entregues cartazes com a foto do adolescente para que os pais os espalhem por pontos estratégicos da cidade;

3 – É feita a intimação de pessoas próximas ao adolescente para tentar obter alguma informação. Também são avaliados materiais como cadernos e agendas do adolescente desaparecido para tentar se identificar algum telefone ou e-mail;

4 – É feito contato com o adolescente através do celular. Caso esteja desligado, é feito um rastreamento do aparelho;

5 – Quando se identifica o paradeiro do adolescente, a função de buscá-lo é do Conselho Tutelar ou a família;

6 – Após o resgate do adolescente, ele e a família precisam voltar à Data para responder à ficha-motivo que identifica os motivos que ocasionaram o desaparecimento;

7 – São realizadas conversas com os pais e com o adolescente de forma individual para identificar a principal causa do desaparecimento;

8 – A família é encaminhada para o atendimento psicossocial na Data.

DESAPARECIDOS

A partir da Lei 11.259 de 30 de dezembro de 2005, não é mais necessário esperar 24h para comunicar o desaparecimento de uma pessoa. O comunicado também pode ser feito em qualquer delegacia, além da Data. O telefone de contato do Serviço de Investigação e Localização de Crianças e Adolescentes Desaparecidas é o 3272-0779.

(Diário do Pará)

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