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Motos são transportes baratos, porém perigosos

O Pará possui hoje cerca de 531 mil motocicletas circulando pelas ruas. A frota aumenta a cada ano e o número tem se refletido também no número de acidentes de trânsito. A imprudência de alguns condutores está entre as principais causas dessas ocorrências

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O Pará possui hoje cerca de 531 mil motocicletas circulando pelas ruas. A frota aumenta a cada ano e o número tem se refletido também no número de acidentes de trânsito. A imprudência de alguns condutores está entre as principais causas dessas ocorrências.

E nunca foi tão fácil ser um motociclista no país. Este mês, a Caixa Econômica Federal reduziu a taxa de juros de financiamento. A taxa mínima passou de 1,25% para 0,75% ao mês. O prazo máximo é de 36 meses para motos a partir de 150 cilindradas e de 48 meses para motos a partir de 250 cilindradas.

Mas, além dos números positivos, o perigo está sempre presente na vida de quem depende das duas rodas no seu dia a dia. Basta uma volta por Belém para perceber que muitas pessoas ignoram os riscos que a falta de cuidados no trânsito podem ocasionar. Ultrapassagens perigosas ou proibidas, falta de equipamentos obrigatórios de segurança e transitar com mais de duas pessoas na motocicleta estão entre as imprudências facilmente percebidas.

O resultado, muitas vezes, é trágico. Os acidentes de moto acabam deixando sequelas graves em grande parte das vítimas. “Acidente de moto é uma epidemia no Brasil”, diz Paulo Czrnhak, diretor geral do Hospital Metropolitano. Dos pacientes que dão entrada no hospital em decorrência de acidentes de trânsito, cerca de 65% envolvem motocicletas. De 2007 a 2012, houve um aumento de 122% dos atendimentos feitos no hospital por conta desses acidentes. Somente no ano passado, 7.308 pessoas foram atendidas após acidentes com motocicletas.

Segundo o diretor, as vítimas costumam sofrer politraumatismos e acabam permanecendo muito tempo no hospital por conta do tratamento. “Quase 60% dos ingressos fazem, no mínimo, de quatro a cinco procedimentos cirúrgicos e muitos são dependentes de fisioterapia após a alta hospitalar”, afirma. Das vítimas atendidas por conta de acidentes de moto, cerca de 25% não estavam usando capacete.

Quem depende do uso da motocicleta afirma que é difícil ter que lidar com o trânsito da cidade. Mototaxista há cerca de quatro anos, Elenildo Silva conta como o desrespeito e os problemas são frequentes. “Os riscos de acidentes são cada dia mais altos, tem muito condutor imprudente”, reclama. Mesmo atento aos perigos, ele não conseguiu se livrar de um acidente que o deixou quatro meses afastado do trabalho. “Há um ano, um veículo bateu atrás da minha moto. Eu cai e quebrei o braço. A recuperação foi difícil”.

Já o motociclista Luciano Andrade nunca se acidentou, mas revela não se sentir seguro em transitar pela cidade. “Acho o trânsito daqui uma loucura. Muitos motoristas ‘fecham’ os motociclistas, é muito perigoso. Mas, como é um veículo mais barato, é o que muita gente pode comprar”, opina.

Jovens são as principais vítimas graves

A maioria dos acidentes com motocicletas envolvem colisão com outro veículo. As sequelas, muitas vezes graves, podem ser resultado de um traumatismo cranioencefálico, fraturas expostas e até mesmo a amputação de algum membro. Outro dado preocupante é que os jovens são as principais vítimas. “70% dos acidentados são jovens entre 19 e 39 anos de idade”, informa o diretor.

O custo de um paciente com politraumatismo também é elevado. “Varia entre R$ 10 mil e R$90 mil reais o custo hospitalar, sem ressaltar o custo social. Dependendo da sequela, a pessoa fica dependente de cuidados pelo resto da vida, algumas sequelas são irreversíveis. É um custo

grande que poderia ser evitado bastando a consciência dos condutores e o respeito às leis de trânsito, um dinheiro que poderia ser investido em saúde preventiva e outras patologias clínicas”, afirma.

(Diário do Pará)

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