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Falta de diagnóstico precoce dificulta tratamento

O diagnóstico em tempo hábil para tratamento de câncer é o principal problema enfrentado pela população paraense nas unidades de saúde pública do Estado e que dificulta o cumprimento da Lei 12.732, aprovada em 2012, que entra em vigor em todo o país hoje,

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O diagnóstico em tempo hábil para tratamento de câncer é o principal problema enfrentado pela população paraense nas unidades de saúde pública do Estado e que dificulta o cumprimento da Lei 12.732, aprovada em 2012, que entra em vigor em todo o país hoje, determinando que o paciente com câncer deve começar a receber tratamento até no máximo 60 dias, a partir do diagnóstico da doença.

Os problemas do tratamento do câncer na rede pública foram debatidos em audiência pública, convocada pelo Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Estadual (MP) na qual participaram representantes da Secretaria Estadual de Saúde (Sespa), Hospital Ophir Loyola, além de integrantes dos conselhos de Saúde, Sindicato dos Médicos, enfermeiros, Associação dos Voluntariados da Oncologia (Avao), pacientes em tratamento, entre outros.

Há municípios que sequer disponibiliza o Tratamento Fora do Domicílio (TFD) para os pacientes de câncer fazer o tratamento em Belém. “A lei não vai mudar a nossa atitude. Vamos procurar ser mais ágeis. Mas, já se faz o que é possível para o paciente ser atendimento o mais rápido e da melhor forma possível”, assegura o diretor do Ophir Loyola, Vitor Moutinho.

TRATAMENTO

A secretária adjunta de Saúde, Heloísa Guimarães, informou que no Pará apenas Belém e Santarém realizam o tratamento completo de câncer, no hospital Ophir Loyola e no hospital regional de Santarém, onde são realizadas cirurgias, quimioterapia e radioterapia. No município de Tucuruí o Estado está preparando o hospital regional para ofertar quimioterapia ainda este ano.

Além disso, o hospital da Universidade Federal do Pará (UFPA), João de Barros Barreto, também realiza tratamento de quimioterapia. A secretaria afirma que 40% dos pacientes chegam ao Ophir Loyola sem diagnóstico, levando o hospital a realizar a biópsia, entre outras formas de tratamento, prolongamento o tempo de permanência na unidade.

Moutinho explicou que há 130 leitos habilitados pelo Sistema Único da Saúde (SUS) nesta unidade para pacientes de oncologia. No total o hospital dispõe de 280 leitos, sendo o restante para outras especialidades, como transplantes de órgãos. Outros 30 leitos estão sendo construídos, mas ainda será insuficiente. Os representantes do Estado consideram que a demanda de pacientes com câncer é muito grande porque os municípios não cumprem a atenção básica.

FILA

“Se uma mulher descobre um câncer no seio no início e faz a cirurgia, trata logo no início, diminui o longo tratamento e libera a fila”, explica o médico. Mas, segundo Vitor Moutinho, grande parte dos pacientes chega ao Ophir Loyola apenas encaminhado pelas unidades de saúde, sem o diagnóstico, o que leva muito mais tempo para tratar. “Sem diagnóstico antecipado, o tratamento vai demorar mais, o paciente vai esperar mais. Eventualmente tem que ficar em casa de apoio”.

Maria Ângela Tavares, 53, faz tratamento de câncer no Ophir Loyola desde 2000. Ela descobriu um caroço em casa e na unidade de saúde da Pratinha a ginecologista a encaminhou para o hospital, sem diagnóstico, apenas com a suspeita da doença.

Ela descobriu o nódulo em abril, mas a biópsia só foi realizada em julho, com resultado maligno divulgado em agosto. Sem leito disponível na ocasião, a cirurgia foi realizada apenas em novembro daquele ano, quando ela teve que retirar toda a mama esquerda. Em 2001 fez a reconstrução da mama e em 2004 foi detectada metástase óssea, em que ela precisou de radioterapia e quimioterapia.

Ela faz controle da doença, diz que tem muita vontade de viver e que cobra quando não há medicamentos ou tratamento disponível no hospital. “O Ministério Público já me conhece e a direção do Ophir Loyola também. Avaliação pelo SUS não é fácil, enfrentamos muita fila, muitos doentes não conseguem resistir e morrem antes da cirurgia”, lamenta.

“Esta lei vai ajudar, mas é preciso mais hospitais para atender a demanda que é muito grande. Só quem teve ou tem câncer sabe o que é depender da rede pública”, afirma Ângela.

(Diário do Pará)

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