Os servidores do Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran-PA) irão fazer um “ato lúdico”, na manhã da próxima terça-feira (28), em frente à sede do órgão, na avenida Augusto Montenegro. Após uma série de manifestações, eles apostam agora no bom humor para chamar a atenção da população e vão fazer um teatro bufo na avenida, imitando o que acontece no órgão envolvido num escândalo de corrupção e desvio de recurso. Também vão denunciar a CPI aprovada na Assembleia Legislativa para apurar os fatos que “já nasceu com cheiro e sabor de pizza bem paraense” na definição do presidente do Sindicato dos Servidores do Detran, Elison Oliveira.
Uma urna funerária de verdade será usada por eles para fazer o enterro simbólico do órgão. No enterro estará um personagem caracterizado como “um senhor de barbicha e cabelo brancos vestido de terno com dinheiro saindo pelo bolso que estará acompanhado por outros dois personagens vestidos com o uniforme do Santa Cruz de Cuiarana”, descreve Elison numa clara alusão ao senador Mário Couto que comanda politicamente o Detran e é acusado de desviar recursos do órgão para o time de futebol que preside.
“Faremos um ato para chamar a atenção da população de uma forma descontraída, mas a nossa luta é séria”, diz Elison. Durante o ato, será realizada uma assembleia dos servidores que vão decidir sobre uma paralisação de dois dias, na primeira semana de junho, provavelmente nos dias 6 e 7.
Eles também vão aproveitar a ocasião para comemorar os quatro anos de fundação do Sindetran que faz aniversário no dia seguinte. “Nós vamos pedir a exoneração do diretor do Detran (Walter Pena, indicado por Mário Couto) por má gestão. A gestão dele penaliza a população paraense. Ele não tem competência técnica e nem compromisso para assumir o cargo”, adianta Elison.
AMEAÇAS
Elison Oliveira disse que os servidores do Detran podem ficar tranquilos porque a Justiça garantiu o direito deles de protestar. Ele contou que uma liminar concedida pelo juiz Marco Antônio Castelo Branco fez o diretor do Detran passar pelo constrangimento de ter que ir pessoalmente à Sead para trocar a folha de pagamento que havia enviado para o órgão com o descontos dos dias de greve por outra folha sem os descontos que é a que vai ser paga este mês, por determinação judicial.
Mas, acrescentou o sindicalista, as tentativas de intimidação e perseguições contra os funcionários continuam. No último dia 22, cinco servidores da Coordenação de Educação foram transferidos para outros setores.Alguns gerentes também estariam ameaçando não escalar servidores para a Operação Verão, em julho, como forma de retaliação contra o movimento no órgão. Com isso, os servidores perderiam diárias que receberiam para trabalhar nos balneários nas férias de verão.
O presidente do Sindetran criticou a forma como foi constituída a CPI do Detran na Assembleia Legislativa que, “desde o nascedouro está eivada de questionamentos”. É inimaginável, segundo ele, “que o presidente da CPI seja do mesmo partido de quem dirige o Detran. Ele não tem isenção para investigar e punir a direção ”, reclamou.
Segundo o sindicalista, “o governador foi infeliz nessa articulação do partido dele. Se ele quer transparência ele tinha que permitir que outro partido dirigisse a CPI. Quem não deve não tem nada a temer”, considera.Elison contou que não chegou nem a entregar as 22 mil assinaturas que o Sindetran coletou junto à população apoiando a CPI porque “falta credibilidade a ela para apurar irregularidade no Detran”.
Os dois principais postos na CPI, o de presidente e o de relator estão nas mãos de deputados da base do governo e dos cinco integrantes, três são da base aliada, analisa o presidente do Sindetran. “A CPI não tem independência para questionar e investigar. Esperamos agora que o Ministério Público vá num caminho diferente e que o seu relatório indique o caminho para frear essa sangria pública que o Detran está vivendo”.
(Diário do Pará)
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