Thaís Pimentel, 27, Hugo Paulo Farias, 18, Alexandre Jorge Pimenta, 21, Leidilene Araújo da Cruz, 25, jovens de bairros de periferia de Belém e Ananindeua, oriundos da escola pública, negros, de famílias de baixa renda. Apesar de todas as dificuldades que a pobreza os impôs, eles conseguiram realizar o grande sonho de ingressar na universidade.
Desde 2009 quando a Universidade Federal do Pará (UFPA) implantou o sistema de cotas, destinando 50% das vagas para estudantes da escola pública, os sonhos de muitos estudantes pobres do Pará têm se tornado realidade. Porém, esta realidade está bem longe de ser um conto de fadas. Os cotistas sentem dificuldade porque a rede pública de ensino não os prepara para ingressar na universidade e logo quando ingressam na instituição sentem dificuldade em assimilar o conteúdo, mas aos poucos conseguem se adequar.
Até o final deste semestre, o Centro de Processo Seletivo (Ceps), através do Centro de Identificação, Registro e Controle Acadêmico concluirá pesquisa referente ao período 2009, 2010, 2011 e 2012, em que analisa o desempenho acadêmico dos estudantes que ingressaram na UFPA pelo sistema de cotas. Os dados serão utilizados para aperfeiçoamento do modelo e para corrigir eventuais erros ou desenvolver projetos para amenizar as dificuldades dos cotistas na instituição.
Este e outros aspectos foram debatidos no seminário denominado, Cotas no Brasil: Diferenças Sim, Desigualdades não, realizado dias 22 e 23 com participação de estudantes, professores, dirigentes da UFPA e de outras instituições públicas federais para debater o modelo de cotas e avaliar os desafios e perspectiva do sistema.
A diretora do Ceps, professora Marlúcia de Oliveira, adianta que no geral a média dos estudantes beneficiados com o sistema de cotas é semelhante aos não cotistas. Mas, a pesquisa já aponta que nos cursos tradicionalmente mais concorridos, como medicina, direito, comunicação, odontologia, fisioterapia, por exemplo, há discrepância de desempenho. “O sistema de cotas precisa ser reforçado. Não é o melhor sistema, mas se não tivesse as cotas, estudantes de escolas públicas não teriam oportunidade de virar médicos e advogados”, defende a professora.
CADA DIA UMA NOVA BATALHA
Apesar dos desafios enfrentados diariamente pelos estudantes que se beneficiam com o sistema de cotas, neste final de 2013, a UFPA, maior instituição de ensino superior do Norte do País e uma das primeiras do Brasil a aderir ao método de inclusão social no ingresso da instituição, vai formar as segundas turmas dos estudantes incluídos no sistema de cotas raciais e de renda. “O sistema de cotas não é só para mudar a concepção, mas fundamentalmente para assegurar o direito à educação superior neste País”, define a professora Maria José Aviz do Rosário, que dirige o Instituto de Ciências da Educação da UFPA (ICED).
Ela explica que paralelamente às cotas, o governo federal desenvolve projetos nas universidades para auxiliar os estudantes com perfil de vulnerabilidade social, como o Conexões Saberes, que distribui bolsas de estudo para estudantes preferencialmente cotistas. Maria José assegura que os estudantes cotistas da UFPA vão entrar no mercado de trabalho em pé de igualdade com os estudantes não cotistas.
“Apesar da deficiência do ensino médio da rede pública, o balanço que nós fazemos do sistema de cotas na UFPA é positivo à medida que o empenho dos estudantes aumenta e eles se integram aos projetos na sociedade e sob todos os aspectos. Nossa comissão de acompanhamento monitora, inclusive, a evasão para evitar abandono dos cursos”, ressalta a diretora do ICED. Ela complementa, dizendo que se não fosse o sistema de cotas, as universidades públicas brasileiras permaneceriam apenas abrigando a elite do País.
(Diário do Pará)
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