As últimas férias ele nem lembra quando tirou. “Eu não tenho não”, diz Edmar Nascimento, 39, que há 25 anos ganha a vida vendendo brinquedos que produzem bolinhas de sabão. A renda mensal chega a R$ 1.200, mas as vantagens de estabilidade proporcionadas pela Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) assinada, como férias remuneradas, ele desconhece.
Assim como Edmar, 48% dos trabalhadores informais iniciaram no ramo depois do desemprego provocado pela demissão. “Eu ainda trabalhei quase um ano de carteira assinada, mas a firma faliu e eu comecei a ajudar meu pai na venda e passei a viver disso”.
Pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) realizada com 612 empreendedores autônomos informais em todas as capitais brasileiras aponta que quatro em dez trabalhadores informais iniciaram a função para não depender de patrão.
Fazer o próprio horário, não precisar bater ponto ou dar satisfações aos chefes são pontos positivos da informalidade que contrastam com a falta de gestão na aplicação dos recursos de onde se tira o pão de cada dia. Cerca de 80% dos trabalhadores na informalidade não planejam os gastos.
JORNADA
Edmar faz parte do grupo de trabalhadores informais que alguma vez na vida já trabalhou de carteira assinada – 78% do total. Deste percentual, só 2% tem dupla jornada. É o caso de Cleber dos Santos, 34. Servente de pedreiro de carteira assinada há cinco meses, ele vende balões na praça Batista Campos em feriados e finais de semana.
Com o “extra”, Cleber chega a ganhar até R$ 500 a mais do que no trabalho estável. Por um bom tempo ele não tinha nenhuma das opções. “Eu trabalhava só de bico”. Financeiramente, a venda de balões é mais rentável. No entanto, não dá pra depender só disso. “Eu nunca tinha tido carteira assinada e essa foi uma oportunidade e às vezes as vendas não estão boas”.
O perfil do trabalhador informal brasileiro é composto por pessoas acima de 35 anos e com, no máximo, ensino médio completo. Janilce Foro, 21, pretende deixar logo a informalidade. Nos planos da jovem que ajuda o marido Cleber nas vendas está o ensino superior.
É com o dinheiro proveniente das vendas de balões – comercializados entre R$ 5 e R$ 7 – que ela consegue pagar o plano de saúde e o cursinho pré- vestibular. “Pretendo estudar de noite e trabalhar pela manhã”, diz a jovem que almeja uma vaga no curso de direito.
(Diário do Pará)
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