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UFPA alcança a maturidade científica

A quantidade de artigos científicos oriundos de pesquisas realizadas nas instituições de ensino superior da América Latina vem crescendo a cada ano. Brasil, México e Colômbia concentram a maior produção de pesquisa e artigos científicos nas universidades.

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A quantidade de artigos científicos oriundos de pesquisas realizadas nas instituições de ensino superior da América Latina vem crescendo a cada ano. Brasil, México e Colômbia concentram a maior produção de pesquisa e artigos científicos nas universidades. O Ranking Iberoamericano (2007-2011) de publicações científicas produzidas nos centros de ensino superior aponta a Universidade Federal do Pará como a instituição de maior produção da Amazônia, subindo da 29ª colocação em 2012 para 28ª do Brasil na lista divulgada este ano, baseada na quantidade de documentos científicos publicados em revistas acadêmicas no País e no mundo.

No ranking geral das instituições iberoamericanas a UFPA figura na 86ª colocação. A UFPA pulou de 58 publicações científicas para 100 em um período de três anos, o que significa quase 100% de aumento, segundo dados da universidade.

A Universidade de São Paulo (USP) se mantém no topo do ranking como a principal produtora do saber científico da América Latina e do Brasil. Depois da UFPA a universidade melhor colocada no ranking 2013 é a Universidade do Estado do Pará na 156ª posição do País. A novata Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) aparece na 185ª posição e o Centro de Ensino Superior do Pará (Cesupa) em 192ª é a única instituição privada do Pará no ranking brasileiro. As áreas de geociências e biológica são as duas que concentram o maior número de pesquisas na UFPA e consequentemente maior publicação de documentos científicos.

AVALIAÇÃO

Pode parecer um passo bem pequeno que a UFPA deu de um ano para outro, mas a direção da instituição comemora mais esta etapa, considerando o contexto da região onde a universidade está inserida e que apesar do crescimento dos recursos destinados à pesquisa, chegando aos atuais 30% do bolo do País, este percentual é dividido entre as universidades do Nordeste e Centro-Oeste brasileiros, como informa o diretor de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesq) da UFPA, professor Antônio Carlos Vallinoto. A avaliação na instituição é que a principal universidade da Amazônia já alcançou maturidade científica. Ele explica que quando se avalia a distribuição de recursos destinados para pesquisa o Nordeste leva vantagem porque concentra maior número de instituições de ensino superior.

Para o pró-reitor de Pesquisa e Pós Graduação da UFPA, Emanoel Tourinho, o resultado divulgado é muito gratificante para os pesquisadores e para os gestores da instituição, à medida em que demonstra que houve tanto um avanço absoluto da produção científica da instituição, quanto relativo, em comparação com as demais universidades iberoamericanas. “Se observarmos bem, veremos que todas as instituições mais produtivas melhoraram seus indicadores, mas a UFPA melhorou mais que algumas. Isso significa que estamos no caminho certo, no esforço que vem sendo feito para dar um salto de qualidade na realização de pesquisa de ponta”, ressalta o pró-reitor.

Tourinho explica que o ambiente científico internacional é hoje muito competitivo, portanto, sem regularidade e qualidade da produção nenhum grupo se destaca. “A UFPA está conseguindo alcançar maior inserção internacional e isso cada vez mais se refletirá na qualidade da formação oferecida, tanto na graduação, quanto na pós-graduação”, enfatiza.

Em janeiro deste ano, o próprio Antônio Carlos Vallinoto, que é doutor em Ciências Biológicas, teve artigo premiado como sendo um dos dez mais citados na revista científica internacional Human Immunology, uma das principais publicações científicas mundiais. O artigo baseado em pesquisa do grupo de virologia da UFPA tratou sobre tuberculose.

Vallinoto explica que no contexto regional a UFPA detém um terço dos doutores da Amazônia e atualmente mantém 81 programas de pós-graduação (mestrado e doutorado), por isso, vem se destacando na pesquisa da região, pois publicação científica está intimamente atrelada à pós-graduação.

Porém, ele admite que não é nada fácil publicar artigos científicos em revistas bem conceituadas nacional e internacionalmente. “Para conseguir publicar em uma revista conceituada, precisa de um trabalho de qualidade”, esclarece.

Programa de incentivo à publicações está em vigor

Um programa de incentivo aos pesquisadores para publicarem resultados das pesquisas científicas realizadas na UFPA está em vigor na Propesq em parceria com a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp). As grandes revistas internacionais da área científica cobram taxas entre US$ 500 e US$ 2 mil para revisão, geralmente de língua inglesa dos textos antes de publicar os artigos.

São revistas feitas por empresas especializadas em revisão e tradução de textos no formato científico padronizado internacionalmente. Isto acaba se tornando um empecilho para os pesquisadores, por isso, é necessária a política de incentivo para bancar as publicações, como explica o professor Vallinoto. Mesmo publicações nacionais conceituadas, cita, como a revista Memórias da Fundação Osvaldo Cruz, que é especializada em ciências biológicas, também pede certificação da revisão em inglês padronizado. “O programa de fomento à tradução e revisão de texto deu incentivo aos pesquisadores da UFPA dos programas de pós-graduação”, acentua Antônio Carlos Vallinoto. Ele admite que é um processo de crescimento lento, mas ele ressalta que nos últimos 20 anos o número que era muito reduzido vem sofrendo transformações.

Uma delas, a aceleração na captação de recursos para infraestrutura de pesquisa na instituição. Em 2012, cita Vallinoto, foram captados R$ 8.6 milhões para a área, ficando em primeiro lugar, o que demonstra, segundo o professor, a maturidade dos programa de pós-graduação na UFPA. O ranking pode ser acessado aqui: www.scimagoir.com

(Diário do Pará)

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