Atrás apenas da China e dos Estados Unidos, o Brasil possui hoje 27 milhões de pessoas envolvidas ou em processo de criação de um negócio próprio. A cada quatro brasileiros, três se interessam em abrir um negócio por conta própria. Dados que impulsionam cada vez mais jovens brasileiros a se lançarem no mercado. Uma preparação que pode começar cedo. No banco da escola.
“Quanto mais cedo o jovem tem acesso à educação empreendedora, melhor se adapta ao mercado do futuro”, afirma Ocirema Figueiredo, gerente executiva da Junior Achievement no Pará, maior empresa presente no país dedicada exclusivamente à promoção do empreendedorismo jovem. Ao todo, 24 programas são aplicados em salas de aula para alunos do ensino médio e fundamental do país inteiro. No Pará, 40 mil jovens já foram beneficiados.
Divididos em cargas horárias diferenciadas, os programas seguem a mesma linha. A aplicação de educação econômico-prática com o objetivo de despertar o espírito empreendedor, proporcionando uma visão clara do mundo dos negócios e facilitando o acesso ao mercado de trabalho. Uma dinâmica que se dá a partir de parcerias entre voluntários e escolas das redes públicas e particulares, mas que depende do empresariado que atua como mantenedor da ação. “Toda a filosofia de aplicação do trabalho é feita por voluntários, mas por detrás da dinâmica contamos com o empresariado que é o grande mantenedor dos programas. A demanda da escola, hoje, é crescente, mas não é acompanhada pelos mantenedores. Nosso grande desafio presente é a conquista de novos mantenedores”, admite a presidente do Conselho Diretor da Junior Achievement Pará, Neuza Yamada, que não esconde o orgulho pelos frutos colhidos graças às atuais dez empresas mantenedoras.
Entre os grandes destaques pedagógicos encontra-se o programa Miniempresa, oferecido a estudantes do 2º e 3º anos do ensino médio. Uma experiência prática em economia, negócios, organização e operação empresarial desenvolvido em 15 semanas, realizadas nas escolas, geralmente aos sábados. Durante o Miniempresa, são explicados os fundamentos da economia de mercado e da atividade empresarial através do método aprender fazendo. “Eles montam uma empresa de verdade e, ao final, comercializam seus produtos rateando entre si os lucros”, explica Neuza Yamada.
“Promover educação empreendedora faz a diferença hoje. Significa a possibilidade de uma mudança de comportamento e proatividade no núcleo familiar. Nosso Estado precisa de pessoas com habilidades de transformar o país e ascender socialmente. Só a educação pode ‘startar’ [iniciar] esse processo”, diz a gerente.
Depois do aprendizado, é hora da prática
Ellen Cardoso só tem 17 anos de idade, mas já é dona de títulos como empreendedora Destaque e Aluna Destaque, os quais conquistou enquanto participava do Projeto Yamada Junior Achievement, em agosto do ano de 2011. Ellen até hoje desenvolve o trabalho em casa, onde garante renda extra e satisfação profissional com a confecção de caixas em MDF. “Ter participado e ainda sido premiada foi o que me motivou a continuar com o meu trabalho. O aprendizado que adquiri durante as jornadas do Miniempresa foi fundamental. Ele (o projeto), nos permite conhecer tudo o que uma empresa de verdade pode realizar, desde a escolha do nome, logomarca e etc. Aprendemos realmente como construir uma empresa de verdade. Outros benefícios são os patrocínios que conseguimos para auxiliar nosso negócio, além da experiência do “Empresário-sombra”, que você passa 24h acompanhando um empresário. Isso foi de grande importância, em minha opinião, pois você observa na prática como funciona”, contou Ellen, muito satisfeita, ao lembrar da experiência.
(Diário do Pará)
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