Um grande protesto marcou a manhã do domingo no bairro Distrito Industrial, em Ananindeua. Revoltados com a ordem de retirada de barracas montadas às margens da rua Zacarias de Assunção, principal via de acesso ao bairro, feirantes do local entraram em confronto com homens da Guarda Municipal e interditaram a pista por cerca de duas horas. Uma pessoa acabou sendo detida. Manoel Arivaldo Cardoso foi encaminhado à Seccional da Cidade Nova sob acusação de perturbação pública e incitação de populares. A manifestação só teve fim após sua liberação.
De acordo com os trabalhadores, a operação da prefeitura - que contou com a participação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedes), Secretaria Municipal de Saneamento e Infraestrutura (Seurb), Departamento Municipal de Trânsito e Transporte de Ananindeua (Demutran) e Guarda Municipal - teria começado ainda na madrugada, por volta das três horas, com os profissionais impedindo a montagem das barracas. Os trabalhadores afirmaram que a ação foi truculenta.
“Eles chegaram lá e disseram que a gente não ia poder montar nossos carrinhos na rua. Até aí tudo bem. O problema é que de manhã tinha um monte de outras barracas de roupas e outras coisas montadas nas calçadas sem problema. A lei tem que valer para todos, então eu fui levar o meu carrinho e a confusão começou. Fui agredido e eles me trouxeram preso pra cá”, reclamou Arivaldo já na Seccional, para onde foi levado por agentes da Guarda Municipal. Na feira, companheiros de trabalho do feirante ficaram indignados com a ação. A rua foi interditada com uma grande fogueira de restos de madeira e pneus. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram chamados ao local, mas a situação só foi normalizada com o retorno do feirante detido.
CONFLITO
O momento de maior tensão se deu com a retirada do local do guarda que teria agredido os feirantes. Ele saiu dentro uma viatura escoltado pela Polícia Militar. Manifestantes cercaram o carro e houve empurra-empurra. “Foi um absurdo. Aqui só tem trabalhador. Eles já chegaram com violência e acabou tendo uma resposta. Nós não vamos aceitar sair daqui enquanto não houver uma solução definitiva”, reclamou Erisvaldo de Oliveira mostrando a camiseta rasgada, segundo ele, por agentes da guarda. A PMA pretende levar os ambulantes para um galpão improvisado no próprio bairro, mas os trabalhadores alegam que o local não oferece condições de trabalho. “Cheguei a passar um mês lá, mas ninguém vende nada porque o freguês não vai. A sujeira toma conta de tudo e a gente fica no prejuízo. Só sairemos daqui para ir para o novo mercado”, disse Maria Zângela. Ana Conceição Silva foi mais enfática. “Só sairemos se for pro novo mercado. Nem que tenha que ir pra frente da prefeitura. Eles podem apagar o fogo, mas a gente faz de novo. Aqui tem trabalhador, não é vagabundo não”, disparou.
Através de nota da Secretaria Municipal de Saneamento e Infraestrutura (SESAN), a PMA limitou-se a esclarecer que os feirantes do Distrito Industrial foram notificados durante duas semanas sobre o seu remanejamento para o novo espaço do mercado.
O coordenador do Demutran, Paulo Afonso de Oliveira, esteve no local e reconheceu que houve excessos de ambas as partes. Segundo ele faltou diálogo para resolução do problema. Oliveira garantiu que levará os fatos para a prefeitura. “Tenho certeza que chegaremos a uma solução”.
(Diário do Pará)
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