A corrida para os balneários do interior só começa no próximo mês, mas o calor na capital paraense, para muitos, é um sinal para julho se apressar. Com temperaturas chegando à casa dos 34°C, está desconfortável para os belenenses conciliar as tarefas do dia a dia com o sol forte da cidade. Bom para os vendedores ambulantes que, com os dias quentes, aproveitam para aumentar o faturamento. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há cidades no sul do Estado com temperaturas chegando a 38°C. Segundo o Instituto, no nordeste paraense, o céu em julho deve ter muito sol e poucas chuvas.
Com raras nuvens no céu e chuvas cada vez menos frequentes à tarde, pedestres e motoristas têm como companhias as garrafinhas de água. É o caso da estudante Riane Ferreira, 26 anos, que considera a ingestão de líquidos importante para amenizar os efeitos do clima. Para a estudante, o calor está tão forte que não se restringe a uma hora específica do dia. “É de manhã, de tarde, à noite. Não tem hora. A gente tenta tomar banho, ligar o ventilador, mas mesmo assim não tem como fugir”, observa. De acordo com Riane, o principal problema causado pela alta temperatura é o desgaste físico. “Quando a gente tá fora do ar-condicionado, na rua, a gente sua demais. É horrível o desconforto”, diz.
José Maia, 51 anos, conta que o sol fica ameno até às 10 horas. “Passando disso, eu uso protetor solar porque se não, não tem pele que aguente”, comenta. João fala com a experiência de quem precisa ir às ruas diariamente para trabalhar. Em um dia comum, o ambulante vai da Praça da República ao Entroncamento montado em sua bicicleta. “O calor não tá forte, tá forte demais! Mas a gente não tem opção, tem que trabalhar”, comenta. Se por um lado o sol intenso atrapalha, em compensação, ele ajuda a alavancar as vendas. “Eu vendo até 400 ‘cremosinhos’ por dia no verão, picolé são uns 200. Dá pra conseguir uma graninha extra”, fala João.
Se depender do clima, o faturamento dos ambulantes vai continuar aumentando. Segundo José Raimundo Abreu, coordenador do 2º Distrito de Meteorologia do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Pará, a escassa cobertura de nuvens e a falta de chuvas durante o dia têm colaborado para o sol atingir com mais intensidade a capital. “Mesmo no amanhecer, a gente percebe o céu claro, quase sem nenhuma nuvem, e isso contribui para aumentar a radiação solar. Em maio, 70% das chuvas ocorreram no período da noite, apenas algumas foram registradas à tarde. A tendência é que em julho a temperatura se mantenha na casa dos 34°C”, explica.
De acordo com o coordenador do Inmet, o crescimento urbano de Belém nas áreas periféricas precisa de atenção. “A verticalização de áreas como Ananindeua, Marituba e bairros como a Marambaia dificultam a passagem do vento. Ele é o grande regulador de temperatura. Se continuar, assim o centro da cidade vai ficar mais quente ainda”, explica. E é justamente o vento que deve manter o clima mais ameno nos balneários, com temperaturas máximas chegando a 32°C em cidades como Salinas, por exemplo.
No entanto, José Raimundo diz que os banhistas devem se precaver para não deixarem o sol prejudicar a saúde. “A maior parte das chuvas ainda deve ocorrer pela parte da noite e no final da tarde, a partir das 17 horas. Como a incidência dos raios solares vai continuar forte, é importante usar protetor solar durante todo o dia e ingerir bastante líquidos”, orienta.
(Diário do Pará)
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