Ocupada por índios de 35 aldeias do Pará, há 15 dias, na altura da aldeia Suruí Sororó, em São Geraldo do Araguaia, sudeste do Pará, a BR-153 finalmente foi liberada, no final da tarde de ontem, depois de uma negociação intermediada pelo presidente da Federação das Associações dos Municípios do Estado do Pará (Famep), Helder Barbalho.
Pelo telefone, Helder conversou com o índio Zeca Gavião e o cacique Mairá e com o secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves e conseguiu intermediar um acordo. “Nós conversamos com o secretário especial de Saúde Indígena que se comprometeu em receber uma comissão dos índios que querem discutir uma pauta da saúde indígena com ele”.
O encontro ficou marcado para a próxima semana, em Brasília. Em contrapartida os índios se comprometeram em desbloquear a rodovia, o que foi feito imediatamente após a negociação.
Os índios ocuparam a BR-153, no sudeste do Pará, no último dia 21 de maio exigindo melhorias na saúde e a exoneração imediata da coordenadora do Distrito Sanitário Indígena (DSEI) Guamá-Tocantins, Daniele Cavalcante, que cuida de 36 aldeias do Pará. Os índios alegam que há má aplicação dos recursos destinados ao setor, autoritarismo e assédio moral contra funcionários.
Uma comissão de manifestantes esteve em Brasília, na última sexta-feira (31), mas as negociações não avançaram. Agora, com a cooperação do presidente da Famep foi possível resolver o impasse. “Esperamos que as coisas voltem à tranquilidade naquela rodovia que é tão importante para aquela região e passou tanto tempo interditada”, disse Helder.
MUNICÍPIOS ISOLADOS
A situação na região estava crítica em função do protesto que, inclusive, estava na ameaça de interditar o aeroporto de Marabá e a Estrada de Ferro Carajás. Os índios já estavam exigindo a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para negociar pessoalmente os termos exigidos pelas oito etnias que se uniram para formar o bloqueio na rodovia federal.
Em função da interdição das rodovias federais pelos indígenas, o comércio regional sofre com o desabastecimento, sobretudo neste eixo e pelo menos sete municípios são diretamente atingidos: São Geraldo, Piçarra, São Domingos, Palestina do Pará, São João do Araguaia, Brejo Grande do Araguaia e Marabá.
O micro empresário Anilton Dall Alba informou que por semana compra pelo menos 250 sacas de cimento. A mercadoria é carregada em Xambioá-TO e transportada via BR-153, contudo as carretas estão paradas naquele município desde o final do mês de maio em função do protesto.
Dall Alba amarga prejuízo, pois não é só o cimento que falta, mas outras mercadorias. “Deixamos de faturar neste período pelo menos R$ 10 mil e isso significa prejuízo, pois os nossos compromissos são diários e em muitos casos tenho de devolver o dinheiro para o cliente que comprou o cimento adiantado, pois não tenho a mercadoria para entregar”, lamenta.
Igualmente no prejuízo está o empresário Jorge Dutra, pois mesmo não dependendo do transporte única e exclusivamente pela rodovia 153, está sem cimento desde o final do mês de maio.
De sua parte o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá (Acim), Mauro de Souza, informou que a entidade se mobilizou no sentido de tentar resolver o impasse que se formou e foi solucionado com a intervenção do presidente da Famep, Helder Barbalho.
(Diário do Pará)
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