O prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) ainda não escolheu o novo titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Com o anúncio da saída do médico Joaquim Ramos, anteontem, o prefeito procura outro nome para o cargo. Ontem, Coutinho anunciou que colocará um interino na Sesma até a escolha do novo secretário.
Ortopedista e cirurgião Joaquim Ramos, que também é vice-presidente do Conselho Regional de Medicina, afirma que não suportou a burocracia da administração pública que, segundo ele, emperra a gestão da saúde pública na capital paraense, principalmente a demora em viabilizar uma licitação pública para compra de medicamentos e outros serviços, necessários para a prestação da saúde.
“Estava enfrentando um enorme desafio, o que me fez pensar melhor e dizer que não ia ter o intento alcançado. A burocracia da instituição prefeitura atravanca muito. É tudo muito demorado. Uma licitação demora muito, é uma coisa terrível. Desde fevereiro que tento realizar uma licitação que não sai. Estamos tratando com vidas, mas parece que tudo é coisa”, desabafa o médico.
DESAFIO
Apesar de ter ideia do desafio que enfrentaria, ele afirma que a administração pública é extremamente diferente da gestão privada, de onde ele é oriundo. Ele compara situações, dizendo que se um gari faltar ao trabalho não terá coleta de lixo, fará falta, mas não será um desastre. No entanto, quando se trata de vidas humanas é uma situação diferente, em que doentes ficam na porta do pronto socorro municipal sem atendimento.
Além disso, Ramos alega que em janeiro pegou a Sesma em uma verdadeira “catástrofe”, onde todas as unidades de saúde, incluindo os PSMs estavam com pagamentos das contas de água e luz atrasadas e com ameaça de corte.
“Não havia sequer água potável nas unidades de saúde para ser consumida. Trabalhei durante quase seis meses, deixei muito trabalho melhorado”, ressalta. “O povo clama por saúde, mas é uma doença que está generalizada em Belém”, acentua o ex-secretário.
Joaquim Ramos afirma que teve apoio geral do prefeito municipal que o convidou para exercer o cargo. Porém, deixa escapar que houve implicações políticas na Sesma que, apesar de ser uma secretária de saúde pública, também sofre muitas influências políticas. “Eram vários pedidos de um e de outro aliado. É complicado ter que atender aos pedidos políticos. Além disso, há pessoas dentro da própria instituição que parece que torcem para que a coisa esteja sempre um caos, que nada dê certo”, critica. Ele afirma que agora retomará sua atividade de médico.
Quanto à expectativa gerada entre a sua categoria que esperava uma gestão eficiente dele, Ramos afirma que não frustrou ninguém e enfatiza que antes de deixar o cargo avisou aos companheiros do conselho sobre a situação que enfrentava na Sesma. “Esperei até demais”, disse. “Quando assumi as ambulâncias estavam paradas, não existia nem água potável, luz cortada em todos os setores. Peguei uma secretaria abaixo de zero, deixei ela no zero, quem pegar vai começar agora. Como médico respondo perante meu conselho pela responsabilidade da saúde em Belém e não posso continuar desse jeito. Ia sobrar pra mim”, justificou Joaquim Ramos.
(Diário do Pará)
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