Em um ato conjunto realizado na manhã de ontem, trabalhadores da Celpa e da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) realizaram um protesto em frente ao Palácio dos Despachos, na avenida Augusto Montenegro. As categorias pedem a intervenção do governo em relação às respectivas reivindicações. Na concessionária de energia, a pressão é contra a política de reestruturação da empresa que, segundo o sindicato, está realizando demissões em massa desde novembro do ano passado. Na Cosanpa, a luta é para a retomada da mesa de negociações entre direção e servidores.
“O governo está acima da direção da Cosanpa e pode, portanto, intervir nas negociações que hoje estão interrompidas. Na Celpa, mesmo sendo uma empresa privada, há interesses em comum. A qualidade do serviço oferecido à população deve ser atentada, por isso resolvemos procurar o governador”, disse Ronaldo Romeiro, presidente do Sindicato dos Urbanitários do Pará.
O movimento iniciou em frente ao escritório central da Celpa de onde partiu em direção à sede do governo. No local, uma comissão formada por seis pessoas foi recebida pela chefa da Casa Civil, Sofia Feio.
Em greve desde a última terça-feira, servidores da Cosanpa cobram um reajuste de 12% nos salários – valor baseado na inflação medida pelo Idesp – e melhores condições de trabalho, mas reclamam da retirada da mesa de negociações do presidente da companhia, Antônio Braga.
“Houve uma rodada de negociações e nada mais. Ficamos sem ter como avançar e não restou outra alternativa senão a greve”, lembrou Romeiro. Em relação à Celpa, o problema maior seria as demissões que estão ocorrendo desde a venda para o Grupo Equatorial, que assumiu a direção da empresa no ano passado.
“De primeiro de novembro pra cá houve uma redução de 300 postos de trabalho. Apenas nos últimos 30 dias foram 25 demissões. A meta da empresa é reduzir mais 564 postos de trabalho e manter uma rotatividade mensal de 1%, o que daria a saída de 18 funcionários por mês e 216 por ano, ou seja, não vai ficar ninguém na Celpa”, afirmou Romeiro. Após uma paralisação de 48h, aderida, segundo o sindicato, por 70% da classe, trabalhadores da Celpa ameaçam entrar em greve no dia 17.
CELPA
Gerente de Gente e Gestão da Celpa, Renan Bodra, recebeu a imprensa para falar sobre a manifestação dos trabalhadores. Bodra explicou que a instituição que passa por um processo de recuperação judicial ainda sofre uma reformulação estrutural que inclui não apenas renegociações de contratos e remontagem na organização, como uma adequação do quadro de colaboradores.
Segundo ele, em meados de abril a empresa teria dado inicio a um Programa de Demissão Voluntário, hoje já encerrado, que incentivou o desligamento de forma menos impactante. “Ao todo, 242 colaboradores saíram da empresa, aproveitando os benefícios oferecidos. Muitas das demissões a que se refere o sindicato, estão inclusas nesse número”, afirma o gerente, que assumiu a impossibilidade de atender à demanda da categoria que pede o fim das demissões.
Segundo o sindicato, durante a reunião na Casa Civil ficou acordado que o governo providenciará uma reunião entre os trabalhadores e direção da Celpa, bem como uma intermediação com a presidência da Cosanpa.
ENQUANTO A GREVE NA COSANPA CONTINUA...
Enquanto a greve da Cosanpa era deflagrada, os moradores sofreram com a falta de água no bairro da Marambaia. Ontem, uma bomba da Estação Bolonha apresentou problemas, o que prejudicou em 25% a produção de água, segundo a Cosanpa.
Por conta disso, alguns bairros tiveram o abastecimento prejudicado como parte da Marambaia, parte da Pedreira e São Brás. Segundo a companhia, o problema se agravou porque faltaram funcionários da eletromecânica, por conta da greve, para que o conserto fosse feito com maior rapidez. Técnicos de empresas terceirizadas foram chamados e o conserto foi feito. O problema seria normalizado ontem mesmo.
Sobre a greve dos servidores, os advogados da Cosanpa deram entrada na Justiça, com uma ação cautelar com pedido de liminar anteontem, para que o movimento fosse suspenso. A empresa afirma que concedeu desde primeiro de maio reajuste de 7, 16% correspondente a variação do INPC do período.
Consumidor não deve arcar com novos medidores
Os deputados que integram a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (AL) receberam ontem os diretores da Celpa e um dos pontos questionados é a mudança do padrão de medição de consumo que a Celpa pretende adotar, com a eliminação gradativa dos ‘olhões’- medidores nos postes-, e a instalação de novos medidores na casa dos consumidores, como era feito antes. A dúvida é se a mudança vai causar prejuízos aos consumidores.
“Queremos saber se a população será penalizada, arcando com os custos dessa mudança e quais as razões técnicas e financeiras para retomar a medição nas casas”, explicou o deputado Carlos Bordalo, que preside a comissão. O diretor comercial da Celpa, Augusto Dantas, explicou que o tempo de vida útil do equipamento instalado no poste é 60% menor, além de dificultar a localização da unidade consumidora e a leitura mensal, o que justifica a substituição.
Com o novo padrão, instalado nas casas, a vida útil será de dez anos e vai garantir mais segurança na leitura e acompanhamento do consumo de cada morador. “Esta mudança será gradativa e gratuita para as residências já atendidas”, afirmou Augusto Dantas. “Apenas em unidades novas o proprietário terá que arcar com a nova instalação do padrão. A Celpa dará o medidor de consumo sem custos”, explicou.
A Celpa mantém a média de 76 mil reclamações pendentes só em abril, e o Pará possui 85% de unidades consumidoras residenciais que correspondem a 40% do consumo de energia no estado. Um grupo de moradores da comunidade Agua Cristal, em Belém, e de municípios do interior também acompanharam a reunião.
(Diário do Pará)
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