A quadra junina é a segunda época do ano que mais favorece o comércio de fogos de artifício no Pará. Fica atrás somente das festas de fim de ano. Contudo, soltá-los requer cuidados e atenção, principalmente com a garotada que costuma brincar com estalinhos e bombinhas durante as festas de São João.
Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, o número de acidentes com fogos de artifícios aumenta neste período do ano. Nas duas últimas décadas pelo menos 122 pessoas morreram em acidentes com foguetes no Brasil. O Corpo de Bombeiros destaca que a maioria dos casos de acidentes é provocada pelo manuseio indevido dos foguetes.
O gerente de uma loja especializada em venda de fogos de artifício, Salim Iunes, explica que, apesar do período proporcionar um aquecimento no comércio, as vendas intensificam somente a partir da segunda quinzenas do mês, quando se aproximam os dias dos santos populares, como São João, que é comemorado no dia 24. “As vendas melhoram, mas são os artefatos voltados para as crianças que são mais comercializados, entre eles os estalinhos, estrelinhas e chuveirinhos”, ressaltou.
Já nas festas de fim de ano, o público adulto é o que mais compra foguetes. “Por causa dessa característica, nesta época a gente tende a ter mais cuidado e exige que alguns compradores, quando aparentam ser jovens, apresentem uma documentação que comprove que ele é maior de idade”, frisou.
ACIDENTES
Segundo o coordenador do Centro de Atividades Técnicas do Corpo de Bombeiros, capitão Marcelo Nogueira, a maior incidência de acidentes com fogos de artifício no Pará ocorre por causa do manuseio errado dos artefatos. “As pessoas têm que atentar aos cuidados na hora de manusear os produtos”, enfatiza.
Ele ressaltou que nos últimos anos, o hábito de soltar fogos de artifício durante a quadra junina diminuiu, consequentemente o número de acidentes também. “Mas não é por isso que as pessoas vão deixar de se precaver contra os acidentes”, reitera.
Entre os cuidados que os brincantes devem tomar estão verificar as instruções de uso presentes nas caixas dos explosivos, certificarem-se que estão soltando os foguetes em área aberta e evitar segurar os artefatos na hora de soltá-los.
O último levantamento feito pelo Ministério da Saúde, em 2011, apontava que, pelo menos, 1.382 pessoas deram entrada em hospitais vítimas de queimaduras por fogos de artifícios. A maior parte destas vítimas tem entre 20 e 49 anos de idade.
O coordenador do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Metropolitano, Milvio Tavares Neto frisou que em Belém não existe um número expressivo de pacientes que dão entrada no hospital vítima de acidente com fogos de artifício. “No geral, os que dão entrada foram por queimadura”, desfechou.
Entretanto, Milvio comenta que os danos ao corpo humano podem ir muito além da queimadura e podem chegar, inclusive, na perda da visão e da audição ou até na amputação de membros, caso o foguete estoure nas mãos da vítima. “São produtos perigosos e as pessoas precisam tomar cuidado”, enfatizou.
(Diário do Pará)
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