A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) vai enviar uma equipe de técnicos da Coordenação Estadual de Zoonoses (CEZ) ao município de Santa Cruz do Arari, no Marajó, para fazer levantamento epidemiológico e determinar a medida mais adequada para controlar a superpopulação de cães. A ida da equipe técnica ao município acontece após o prefeito de Santa Cruz ter sido acusado de capturar e exterminar os animais.
A ação foi anunciada durante reunião entre representantes da Sespa e da Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó (Amam), ontem (06). Segundo Consuelo Castro, prefeita de Ponta de Pedras e presidente da Amam, o prefeito reconheceu a medida equivocada, e está disposto a resolver o problema da maneira correta.
O veterinário Reynaldo Lima explicou que a superpopulação de cães em determinado local é um problema de saúde pública, já que esses animais podem ser hospedeiros e transmitir diversas doenças ao homem, como leptospirose, leishmaniose e raiva humana.
De acordo com o veterinário, há várias maneiras de conter a população canina, como a construção de canis para abrigar os cães de rua, a castração e a eutanásia. “Mas não adianta castrar o animal e soltá-lo novamente na rua, porque vai continuar transmitindo doença, e a eutanásia só pode ser realizada por profissionais capacitados e habilitados para isso, seguindo o protocolo definido”, explicou Reynaldo Lima.
Conforme dados epidemiológicos, em 2012 o Pará registrou 20.790 agressões por cão, 260 casos de leishmaniose visceral e 93 casos de leptospirose. Não houve registro de raiva animal em cão e gato em 2012. Quanto à raiva humana, o último caso de transmissão por gato ocorreu em 1994; o último caso transmitido por cão, em fevereiro de 2002, e o último caso de transmissão por morcego hematófago ocorreu em outubro de 2005. Os cães também podem transmitir sarna, fungos e carrapatos, principalmente a crianças, como ocorre em Curralinho. No Pará, há cinco municípios com CCZs.
(Diário do Pará)
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