A pressa para chegar ao outro lado da via ignora o tráfego intenso e os registros de atropelamentos com vítimas fatais na BR-316. Somente este ano a Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabilizou 32 atropelamentos, com 30 feridos e quatro mortos. Em 2012 foram 123 acidentes de pedestres e ciclistas, com 98 feridos e 27 vítimas fatais.
Admitindo o perigo ao atravessar a BR-316 em meio aos carros e demais veículos, no trecho próximo a sede da Prefeitura Municipal de Ananindeua, a 50 metros da passarela, Walber Nascimento, 35, atribui o ato a urgência para resolver algumas pendências. “Eu tô errado, mas é porque a pressa tá demais”, justifica.
A mesma desculpa é usada por um pedestre que não quis identificar-se. Com ele a situação foi quase a mesma, diferenciada somente pela proximidade da passarela. O homem atravessou a via literalmente embaixo da passarela que liga as duas margens da rodovia. “É pra ser mais rápido”, limitou-se a dizer.
“Eu tô atrasada, indo pro trabalho”, alegou a repositora Ana Ribeiro, 30. Ela afirma que “só dessa vez” fez da pista a via de acesso ao outro lado da BR-316. “Eu sempre atravesso lá no sinal”, conta.
Preocupada com a segurança, a estudante Viviane Ferreira, 23, só utiliza a passarela. “Eu sempre atravesso por aqui”.
TRECHOS PERIGOSOS
Os atropelamentos são registrados, sobretudo, nos trechos de área urbana como Ananindeua, Marituba, Benevides, Castanhal e Santa Maria. “Falta estrutura na via para dar condições adequadas de segurança para o pedestre atravessar, além da falta de atenção dos condutores e dos pedestres”, frisa Max Silva, inspetor da PRF.
A PRF não soube informar a quantidade de passarelas e faixas de pedestres disponíveis nos quilômetros que a BR-316 corta o centro urbano.
Limitação de velocidade já diminuiu os acidentes
A limitação de velocidade na BR-316, que vai de 40 a 80 Km/h em trechos da rodovia, é considerada pela PRF como um fator a mais na luta contra acidentes. “Houve uma redução no número de acidentes. Assim o condutor observa o pedestre na intenção de atravessar e para. Antes um parava e o outro não, causando a coalisão e às vezes até o atropelamento”.
Apesar de não achar muito seguro atravessar na passarela durante a noite, por conta de assaltos, a vendedora Maria Josiney Melo, 34, não abre mão da proteção contra acidentes que é a passarela. “É uma forma de prevenção contra acidentes e o meio mais seguro que se tem para atravessar”.
As faixas de pedestres não possuem a mesma eficiência. “Tem muito ignorante que não respeita”, reclama a secretária Maria Bernadeth Oliveira, 61. Com dificuldades, ela desce os degraus da passarela, para poupar o tornozelo fraturado em queda na rua. “Não é fácil, principalmente para a gente que já tem idade”.
(Diário do Pará)
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