Hoje uma programação especial na praia do Tucunaré, cartão-postal de Marabá, marca o início dos trabalhos para os voluntários da Ong Movimento Educacional de Preservação da Amazônia (Mepa). Em conjunto com a Secretaria Municipal de Urbanismo, cerca de 20 homens da Prefeitura participarão de um mutirão de limpeza sob a coordenação de César Peres, presidente da Mepa.
A Ong atua na preservação de tartarugas e tracajás (quelônios da Amazônia), e na área de educação ambiental, voltada para as comunidades ribeirinhas, com foco no uso sustentável dos recursos naturais. A organização também atua no reflorestamento de áreas degradadas às margens dos rios da bacia Tocantins-Araguaia, no sudeste paraense.
De acordo com César Peres, a programação dá início ao trabalho da Mepa, que é a proteção dos ovos dos quelônios na desova que acontece de julho a outubro de cada ano. Desde 2004, quando foi criada, a Ong já devolveu à natureza mais de 70 mil filhotes de tartarugas e tracajás. Deste total, foram soltos mais de 39 mil apenas nos dois últimos anos com o apoio da Vale, através do projeto Aços Laminados do Pará (Alpa).
Ele explica que o trabalho é realizado o ano todo, mas em julho, os cuidados são redobrados em função de possíveis ameaças aos ninhos e às fêmeas. “Quando identificamos que o ninho está em área de risco, seja por predadores naturais ou pelo próprio homem, os ovos são manejados para bases do projeto, onde ficam incubados até o nascimento”.
Além de Nova Ipixuna (praia do Meio, um dos maiores tabuleiros de desovas), Itupiranga (praia do Macaco) já recebeu os trabalhos dos voluntários da Ong. A praia do Tucunaré é outro local onde acontecem a desova dos quelônios. São João do Araguaia deve receber a ação de proteção dos ovos, ainda este ano. “Oficialmente temos 50 voluntários que participam do projeto. Mas indiretamente, além dos 250 voluntários, contamos também com outros que contribuem por não recolherem os ovos, pra vender ou para qualquer outro fim”, esclarece o coordenador.
Mas existem áreas onde a atuação da ONG é somente de vistoria. “Existem áreas em que os ovos ficam na natureza sem precisar da intervenção humana. Nestes casos, por exemplo, se 100 ovos forem colocados, 100 filhotes nascerão. Mas quando existe a nossa interferência, tirar os ovos para serem levados para a reserva, dos 100 ovos, somente a metade de filhotes nascerá”, explica. A devolução dos filhotes à natureza acontecerá em dezembro, nas praias onde os mesmos foram depositados pelas fêmeas dos quelônios da Amazônia.
(Diário do Pará)
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