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Bragança: 400 anos de história cultural

Bragantinos entusiasmados com a comemoração dos 400 anos de fundação incrementam programações este ano para celebrar o aniversário do município. Elas já começaram desde a virada para 2013, quando o ex-prefeito Edson Oliveira (PMDB) inaugurou o cronômetro

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Bragantinos entusiasmados com a comemoração dos 400 anos de fundação incrementam programações este ano para celebrar o aniversário do município. Elas já começaram desde a virada para 2013, quando o ex-prefeito Edson Oliveira (PMDB) inaugurou o cronômetro com a contagem regressiva, em 31 de dezembro de 2012, até 8 de julho, na orla do rio Caeté. O relógio com moldura em forma de monumento com elementos alusivos à marujada foi transferido em maio pela nova administração para a Praça das Bandeiras. Entretanto, após a mudança, ainda não está funcionando.

No além-mar, bragantinos do Pará e de Portugal também já comemoram os 400 anos de fundação. A manifestação acontece de 06 a 09 de junho, na cidade de Bragança de Portugal, durante o “I Encontro Luso Amazônico de Negócios, Literatura e Gastronomia”, onde os bragantinos paraenses são os convidados especiais e, evidentemente, o aniversário de quatro séculos de fundação também será motivo de homenagens. “Na ocasião, lançarei meu livro “Caminho dos Sonhos”, um memorial sobre a Estrada de Ferro Belém-Bragança, inaugurada em 1908 e extinta em 1965”, adiantou o escritor José Leôncio Siqueira, um dos integrantes da comitiva que está em Bragança de Portugal para participar do evento organizado pelo Centro de Estudos Luso Amazônicos (Cela), sob a direção da professora Nazaré Paes de Carvalho.

As instituições particulares também estão sensibilizadas com o aniversário dos quatro séculos, através da inclusão do marco histórico como tema de suas atividades. O Centro Educacional João Paulo II, que este ano completou 25 anos em março, fez da comemoração uma mista homenagem às duas trajetórias, a do colégio e a do município. “Além de render as honras merecidas, incluindo a fundação de Bragança em nossas comemorações, dessa maneira aproximamos os alunos da nossa história, de maneira lúdica, proporcionando a eles a assimilação e, consequentemente, o diálogo sobre as várias fases de nosso município”, justificou a pedagoga Yolete Garcia de Lima, diretora do colégio.

Seguindo a mesma filosofia estão os coordenadores pedagógicos do Instituto Santa Teresinha, colégio fundado há 75 anos por Dom Eliseu Maria Coroli, cuja programação comemorativa se estenderá ao longo de todo o ano. “Para nós, acima de tudo, é um compromisso celebrar e exaltar esta história da qual nos honramos em fazer parte, através da educação, que desenvolvemos seguindo o lema ´formar para a vida´, ensinado por nosso grande orientador Dom Eliseu. Por isso, o aniversário de 75 anos do IST é indissociável dos 400 anos de Bragança”, justificou a irmã Ascenção Lemos, diretora geral da instituição.

FOLIA

O Carnabragança, principal micareta da região, realizado há 15 anos, também programou atrativo especial para este ano, garantindo a presença da cantora Cláudia

Leitte para animar a folia no dia 20 de julho. “O Carnabragança também vai associar seus 15 anos de folia aos 400 anos de desenvolvimento do nosso município. Sempre nos empenhamos para trazer o melhor possível para o evento, que já recebeu nomes como Ricardo Chaves e Timbalada, mas este ano queremos mais, devido a esse momento especial dos 400 anos”, justificou o empresário Badinho Soares, realizador do evento.

A Secretaria de Municipal de Cultura Desportos e Turismo também adiantou que a prefeitura já está com programação variada para comemorar a data, envolvendo atrativos para diversos gostos e religiões, com shows de MPB na orla do rio Caeté e de aparelhagens no aeroporto.

HISTÓRIA

Entretanto, para o professor Dário Benedito Rodrigues, diretor do Departamento de História do campus Bragança da Universidade Federal do Pará, o que um município como Bragança mais precisa são incrementos relativos ao patrimônio histórico e

cultural. Ele inclui, além dos monumentos arquitetônicos, o arquivo público, dentre tantos outros, como a cultura dos ribeirinhos, praianos e colonos. “A bragantinidade precisa deixar um legado positivo para esta geração. Espero que a cultura e a religiosidade do nosso povo sejam respeitadas, que se olhe com carinho para o interior, pulsante e carente, que ainda abastece parte da cidade, cujos produtores são, é bem verdade, usurpados por sua própria condição de isolamento com relação à urbanidade”, disse Dário Benedito. “Só poderemos vislumbrar uma Bragança quatrocentona, digna de seu passado, para o futuro, se a prepararmos agora, no presente. E, para isso, temos que restaurar muito do que está deteriorado”, concluiu o professor.

Bragança foi fundada por franceses liderados por Daniel de La Touche, em 8 de julho de 1613. Hoje, a grande vocação do município é para o turismo cultural e praiano.

(Diário do Pará)

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