Nesta época de verão e férias escolares, o céu azul fica mais colorido e prende os olhares de crianças, jovens e até adultos que costumam empinar papagaios, ou pipas. Há também as rabiolas e cangulas – brincadeira preferida nas periferias. São “brinquedos” baratos e fáceis de comprar ou fazer. Mas é preciso ter cuidado na hora de soltá-los no ar. A linha encerada, com cola e vidro, pode provocar acidentes graves. Além disso, pode deixar a comunidade inteira sem energia elétrica.
Em algumas áreas de Belém já é possível olhar para o céu e ver rabiolas e papagaios “cortando” o céu da cidade. À tarde, no Portal, a molecada se concentra na beira do rio Guamá para dar “laço” e compete para “cortar” o maior número possível de pipas.
Atento para o sentido do vento, um garoto de apenas três anos de idade coloca a sua pipa no ar e conversa com seu coleguinha que ainda não conseguiu fazer subir o seu brinquedo. “Falta mais rabo, por isso que ela não sobe e fica girando”, diz ele sobre a pipa confeccionada com uma sacola de supermercado. Os dois brincavam sem a presença de um adulto.
Mais à frente, três rapazes também empinavam seus papagaios. “Aqui é um ótimo lugar para vir empinar. Ano passado, empinava na rua de casa, aqui próximo”, apontou Eduardo Aragão, 19. “O problema é que, quando a gente ‘corta’ a outra pipa, nem sempre dá para pegar porque ela cai no rio, dependendo da posição do vento”, frisou o rapaz.
Nos bairros do Guamá e Jurunas, a molecada solta pipas na rua onde moram mesmo. Quando uma cai, um grupo corre para capturar e em seguida soltá-la. “É como se fosse um prêmio e a gente ainda pode ‘cortar’ a pipa de quem derrubou ela primeiro”, ressalta Jammerson Lopes, 18.
Para ele, a brincadeira não oferece riscos, uma vez que nunca sofreu qualquer tipo de acidente. Mas, além deles, quem passa pela área também corre riscos. Na semana passada, em Mãe do Rio, uma menina de apenas dois anos de idade teve o pescoço cortado por uma linha com cerol. A criança precisou ser encaminhada para o Hospital Metropolitano porque teve a jugular cortada e sofreu hemorragias. A vítima estava numa moto juntamente com familiares na hora do acidente.
De acordo com Cezar Amorim, diretor clínico do Hospital de Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o maior número de acidentes envolvendo pipas e pessoas está relacionado a cortes com a linha com cerol.
Os atropelamentos também tendem a aumentar com a garotada correndo atrás das pipas. Para o motociclista Pedro Alan Costa, 24, o cuidado ao transitar pela cidade precisa ser redobrado. “Nós não enxergamos a linha e precisamos ficar atentos se tem moleques brincando, aí já se sabe o risco”, destacou. A motocicleta dele não tem antena – item de segurança que pode reduzir este tipo de acidente –, o que aumenta a sua preocupação.
PERIGOS
O gerente de Relacionamento com Parceiros, Segurança e Meio Ambiente da Celpa, Ivan Aragão, alerta também para os riscos de acidentes da linha com a rede elétrica. “No ano passado, tivemos dois acidentes sérios sem vítima fatais. A linha cortou um cabo da rede de distribuição. Por sorte, ninguém se machucou, mas algumas pessoas disseram sentir uma descarga elétrica”, relatou.
A concessionária não informou um número estatístico de desligamentos provocados exclusivamente por cortes na rede de distribuição de energia. “Não temos um percentual, mas estas interrupções sofrem um aumento significativo esta época do ano”, disse Ivan, ao recomendar não empinar pipas próximo à fiação elétrica.
O tenente do Corpo de Bombeiros Pedro Santos fala sobre como evitar os acidentes. “A orientação é que, se quiserem soltar papagaio, procurem parques, campos abertos, praças públicas, bem longe da fiação elétrica”. O uso de cerol é proibido por lei e não pode nem ser usado”, explica.
(Diário do Pará)
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