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Idosos sofrem com violência fora de casa

É quando o corpo cansa e os músculos já não suportam o ritmo da jovialidade que os casos de abuso se multiplicam. Os idosos estão entre as principais vítimas de violência doméstica em todo o mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 2 milhões de pessoas acima d

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É quando o corpo cansa e os músculos já não suportam o ritmo da jovialidade que os casos de abuso se multiplicam. Os idosos estão entre as principais vítimas de violência doméstica em todo o mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 2 milhões de pessoas acima de 65 anos sofreram algum tipo de agressão. Em todo o Brasil, de acordo com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), os casos de violação aos direitos humanos dos idosos, registrados pelo Disque 100, saltaram de 7.160, em 2011, para 21.404, em 2012. Um percentual de quase 200% de aumento.

Dona Maria Celina Nascimento, 84, conhece de perto essa realidade. “Não tenho do que reclamar da minha família, sou muito respeitada por todos eles. Mas nem com todo mundo é assim, a gente sabe”, diz a aposentada de passos lentos mas firmes, junto à filha Tereza Maria do Nascimento, 47, a neta, Débora Quaresma, 25, e a bisneta, Thaila de Sousa, 5 meses. “A falta de educação é uma constante. Do mais novo ao mais velho. As pessoas estão vendo que a gente está com uma idosa e com uma criança e passam esbarrando. Não se faz questão de ser cordial”, reclama a neta.

Ela lembra que a avó deixou de andar de ônibus, após uma queda com a arrancada pelo motorista. “É triste porque ela acaba saindo menos de casa porque depende de carro. O ensinamento que a gente vai passar pra Thaila é o mesmo que eu recebi da minha mãe e passei para a minha filha. Na nossa família não há diferenciação. O respeito impera”, garante Tereza, orgulhosa ao lado da mãe e com a neta no colo.

De acordo com dados da Delegacia Especial de Proteção ao Idoso, no Pará são registradas em média de dois a três casos de violência contra o idoso por dia. A maioria das vezes dentro da própria casa. “É uma situação que preocupa pelo caráter alarmante. São 80 casos por mês apenas registrados, mas nós entendemos que há subnotificações. É difícil para o idoso revelar essa questão intrafamiliar. É extremamente complicado para essa pessoa, que assume a posição de vítima, denunciar o agressor que muitas vezes é um ente querido”, destaca a delegada Simone Edoron, titular da Diretoria de Atendimento a Grupos Vulneráveis.

Segundo ela, os crimes mais comuns registrados nas delegacias envolvem abandono, maus-tratos, lesão corporal e apropriação indevida de proventos. Mas faz um alerta. “A violência contra o idoso não tem apenas o caráter físico, mas psicossocial. O idoso pode não ser maltratado, mas sofrer um abandono emocional e isso também configura crime”, lembra a delegada.

Para espantar qualquer possibilidade ruim, dona Neuza Calixto, 80, mantém nas mãos as rédeas da própria vida e se mantém ativa. “Eu não paro. Gosto de passear, faço hidroginástica e não paro em casa. Esse negócio de televisão e crochê só se for na próxima encarnação porque nessa mesmo não é pra mim”, revela com bom humor a aposentada que aproveitou o mês para conhecer a capital paraense.

(Diário do Pará)

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