Os 144 índios mundurukus, que passaram mais de uma semana em Brasília tentando convencer o governo a interromper todos os empreendimentos hidrelétricos em obras ou em estudo na Amazônia, e que chegaram a ocupar a Fundação Nacional do Índio (Funai), regressaram ontem (13) ao Pará. O grupo partiu da Base Aérea de Brasília no início da tarde de quinta-feira, em dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).
Os mundurukus foram para Brasília dia 4, quando desocuparam o principal canteiro da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, para reunir com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. O ministro afirmou que o governo vai ouvir as comunidades afetadas pelos empreendimentos, mas que as obras em Belo Monte não serão interrompidas e reforçou a segurança no local.
Um dos líderes dos índios, Valdenir Munduruku, disse que a articulação dos índios para paralisar projetos de aproveitamento dos rios Xingu, Teles Pires, Tapajós e Madeira, entre outros, não foi encerrada. “Vamos nos aliar com outros parentes [povos indígenas] para, juntos, combatermos esse desrespeito do governo federal com nossa cultura, nossa crença e nossos direitos”, declarou. Ele garantiu que, a menos que o governo federal interrompa a execução das obras e estudos, os mundurukus não voltarão a dialogar. “O que o governo quer, nós não queremos. Ele quer ir à nossa terra dizer que vai construir hidrelétricas e ver o que queremos em troca. E nós não queremos nada em troca. Queremos nosso rio livre e nossa natureza preservada”, declarou Valdenir.
(Diário do Pará, com Agência Brasil)
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