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Fazendeiro paga fiança de R$ 101 mil

O juiz titular da 9ª Vara Penal de Marabá, Murilo Lemos Simão arbitrou uma fiança considerada bastante alta e até então pode ser a maior da Comarca para soltar o pecuarista Jaime José de Souza Neto, preso na madrugada da última terça-feira (11). O pecuari

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O juiz titular da 9ª Vara Penal de Marabá, Murilo Lemos Simão arbitrou uma fiança considerada bastante alta e até então pode ser a maior da Comarca para soltar o pecuarista Jaime José de Souza Neto, preso na madrugada da última terça-feira (11). O pecuarista mandou a família pagar a fiança no valor de 150 salários mínimos, o que corresponde a R$ 101.700,00, e foi libertado ainda ontem à tarde mesmo.

Assim que ficou sabendo da fiança o acusado determinou a impressão do boleto e que um irmão dele providenciasse o pagamento imediatamente, pois não suportaria mais dormir na cadeia. O dinheiro da fiança paga pelo pecuarista é depositado numa conta do estado e vincula o acusado ao processo, que segue até ser sentenciado em definitivo.

Jaime Neto vai responder pelos crimes de tentativa de homicídio, dano ao patrimônio e porte ilegal de armas em liberdade. Mas caso comenta algum crime durante o processo que responde, pode ser preso novamente e o valor desta sentença deve ser confiscado em favor do Estado.

Segundo uma fonte segura, o dinheiro deve ser aplicado em ações de combate ao crime, ou para a própria Justiça e até mesmo para ressarcimento aos danos à vítima. Vale lembrar, porém, que se o pecuarista tivesse recorrido ao Tribunal de Justiça do Estado, o valor poderia ser reduzido, pois o entendimento do TJE é de que no caso de uma fiança alta, seria o mesmo que negar o pagamento para o acusado ganhar liberdade. Mas o trâmite poderia demorar mais dias, por isso o pecuarista optou em pagar logo para se livrar da cadeia.

O CASO

Jaime Neto protagonizou um episódio inusitado, quando num ataque de fúria invadiu a casa do pecuarista José Miranda Cruz e efetuou vários disparos no imóvel. Ele usou um caminhão de transportar bois, placa MXG-4790 Marabá-PA, e arrebentou a lateral da casa da vítima. Depois, com dois revólveres, efetuou vários tiros no imóvel. O ataque aconteceu por volta das 5h da madrugada da última-terça-feira (11). Jaime Neto foi preso em flagrante.

Com o acusado, os militares localizaram dois revólveres calibre 38, com seis projéteis deflagrados em cada uma das armas. Na casa de José Miranda Cruz dormiam a esposa e um filho menor dele. O pecuarista não foi localizado para comentar a respeito do ataque e da suposta dívida que teria com Jaime Neto.

Já era tarde, mas Jaime Neto se arrependeu. “Peço desculpas ao senhor José Miranda e à família dele, pois não tive a intenção de matar ninguém, mas estava nervoso por conta da dívida que tento receber há dois anos e ainda não consegui”, relata Jaime Neto. Ele contou ainda que está tendo dificuldade para honrar alguns compromissos financeiros que têm na região. “Sou um homem trabalhador, moro em São Domingos e todos me conhecem e não é da minha índole, mas a minha situação é desesperadora”, justificou.

Independentemente das justificativas ou alegações, o acusado foi autuado pelos três crimes. O advogado dele, Antônio Lopes Filho, requereu o relaxamento do flagrante, mas o juiz Murilo Lemos não só manteve o flagrante como arbitrou fiança de mais de R$ 100 mil.

O pecuarista José Miranda Cruz, até o momento, não foi localizado para comentar sobre o crime, a dívida e a fiança.

(Diário do Pará)

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