Hoje haverá novamente protesto pelas ruas de Belém contra a corrupção, o BRT, o superfaturamento das obras das Copas das Confederações e do Mundo no Brasil, além da cobrança por mais recursos para a saúde e educação de qualidade, assim cono mo transporte coletivo e segurança. Os manifestantes do Movimento Belém Livre irão se concentrar, a partir das 13h, no CAN e de lá seguirão pelas ruas do centro de Belém até chegar à Prefeitura, onde uma comissão será formada para pedir audiência com o prefeito Zenaldo Coutinho. O objetivo é cobrar do prefeito a diminuição da tarifa de ônibus, assim como já aconteceu em São Paulo e Rio de Janeiro – cidades onde as manifestações começaram. Pelo menos 15 mil pessoas são esperadas para na caminhada – que ao contrário de como ocorreu na última segunda-feira, 17, estará com a pauta traçada.
Além disso, o Movimento Belém Livre também vai pedir a implantação do passe livre para estudantes, dizer não à aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37 e também para a “Cura gay”. Todavia, o Movimento enfatizou que não protesta apenas por esses problemas, mas também questiona o sistema político que se instalou no Brasil, que acabou caracterizado pela corrupção. “Não podemos fazer como na última segunda-feira, temos que definir uma pauta para o movimento e sermos solidários às causas nacionais”, destacou a representante do Coletivo Estudantil Vamos à Luta, Samantha Caldas.
Samantha acredita que o mais importante a ser exigido neste primeiro momento é a qualidade do transporte coletivo da cidade. “Precisamos pedir a redução da tarifa e conquistar o passe livre para os estudantes. Esta é uma luta antiga”, frisou.
Durante a reunião do movimento, ontem na Praça da República , sem liderança definida, em alguns momentos, houve princípios de conflitos por causa da desorganização. Mas o promotor de Justiça Harrison Bezerra parabenizou os manifestantes pelo ato pacífico que promoveram no início da semana e destacou que também é importante que a mobilização atente para a PEC 37, que se aprovada pelo Congresso Nacional vai reduzir a atuação do Ministério Público e impedir a fiscalização dos gastos do governo. “A votação já estava na pauta do dia 26 de junho. Devido a esta grande mobilização nacional, a votação foi adiada em uma semana e vamos continuar na luta contra a PEC”, destacou Bezerra.
Para a representante do Movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) Bárbara Pastana, a luta da população se constitui do anseio por políticas públicas que respeitem as pessoas, enquanto cidadãos. “A manifestação tem que ser por direitos humanos. Não temos Saúde, nem Educação eficiente, temos jovens desempregados e antes de falarmos em ‘Cura gay’ temos que criminalizar a homofobia!”, disse.
O estudante André Cardoso, 20, participou da primeira manifestação e tem agora um sentimento de esperança para viver num país melhor. “A gente estuda as revoluções que aconteceram na história do Brasil e nunca imagina que poderíamos viver um tempo em que as massas vão para as ruas. Isto revela um sentimento patriótico que nem eu sabia que tinha”, declarou.
VANDALISMO
Durante a reunião, todos ressaltavam que a manifestação precisa ser pacífica. Ontem (19), o muro do Palácio Antônio Lemos, sede da prefeitura de Belém, amanheceu pichado com as palavras “Belém Livre”. O Movimento repudiou o ato.
A Coordenadoria de Comunicação da PMB informou que a prefeitura irá providenciar a pintura da parede. O prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico.
MARABÁ
Ontem, no Campus I da UFPA, representantes de movimentos sociais e estudantes – definiram a pauta para o protesto que também vai acontecer hoje, no final da tarde, em Marabá. A concentração será em frente ao ginásio poliesportivo da Folha 16 (Nova Marabá), a partir das 17h, tendo como destino a prefeitura.
Denominado “Movimento popular sem violência em defesa do direito dos trabalhadores e contra o Estado Burguês”, o ato terá como principais bandeiras melhorias na saúde pública, paralisação das obras de Belo Monte, estatização do transporte coletivo urbano, fim de milícias que exterminam jovens, passe livre para estudantes, fim da política de arrocho salarial, fim das liminares de reintegração de posse que despejam famílias de sem-teto, eleição direta para diretores de escolas, meia passagem para professor, defesa de direitos de minorias e reforma política.
Ao final da caminhada desta quinta, os cartazes que forem usados durante toda a caminhada não serão queimados, mas sim colados em vários pontos da cidade, sobretudo nas repartições públicas.
(Diário do Pará)
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