Ao que parece dois dos objetivos da manifestação que levaram aproximadamente 15 mil pessoas às ruas de Belém – a redução da tarifa de ônibus e a implantação do passe livre para estudantes – não serão atendidas. Ontem à noite, após o ato que resultou na depredação do Palácio Antônio Lemos, sede do poder municipal, o prefeito Zenaldo Coutinho se reuniu com a imprensa para uma entrevista coletiva, na sede da Secretaria Municipal de Administração (Semad). Ele reiterou que a partir de agora irá intensificar o diálogo com a população. Em relação à pauta de reivindicação – que acabou não sendo entregue – ele informou que pelo menos este ano o preço da passagem não sofrerá reajuste. A medida teria sido tomada desde o início de sua gestão, a fim de obrigar as empresas a melhorarem a frota.
Sobre o passe livre para estudantes, o prefeito considera inviável, até que se estabeleça um amplo debate acerca da proposta, uma vez que tal gratuidade iria requerer custos. “É preciso saber quem vai pagar a conta”, atentou Zenaldo.
Na coletiva, o prefeito destacou a legitimidade da manifestação enquanto expressão democrática. Apesar de ter sido alvejado com pedras, considerou o momento como histórico. “Eu estou disposto a dialogar com os manifestantes, inclusive entrei em contato com alguns deles para saber se seria melhor receber uma comissão no gabinete ou se em frente à prefeitura mesmo. Ficou decidido que em frente à prefeitura seria melhor”, relatou.
Na última quarta-feira, quando os manifestantes se reuniram, na Praça da República, para deliberar o trajeto da manifestação, ficou acordado que o movimento entregaria ao prefeito uma pauta de reivindicações impressa. Mas ele disse que não teve tempo para receber porque foi aconselhado pela Guarda Municipal de Belém a se retirar do local para manter a sua integridade física. A retirada foi motivada porque um grupo de vândalos começou a jogar pedras em direção ao prefeito. “Uma das pedras, inclusive, acertou o rosto de um guarda Municipal”, atentou Zenaldo.
Diante disso, comentou que não podia dar uma resposta concreta sobre as reivindicações até porque não se sabia ao certo quais eram. Comunicado que entre os objetivos da manifestação estavam a diminuição da passagem de ônibus e a implantação do passe livre para estudantes, ele enfatizou que a tarifa não sofrerá aumento este ano e as empresas de transporte coletivo têm que melhorar a frota. “Belém tem uma das tarifas mais baixas do Brasil”, informou.
Questionado sobre o fato do governo federal ter diminuído alguns encargos tributários para que a tarifa fique menor, o prefeito disse que a diminuição só aconteceu nas cidades que tinham aumentado a tarifa. “No ano passado, a prefeitura concedeu uma redução do ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) e as empresas de ônibus economizaram R$ 11 milhões”, apontou o prefeito, que não informou de quanto foi a redução. “Este dinheiro poderia ter sido investido em outros setores”.
O passe livre, segundo ele, precisa de um amplo debate com realizações de diversas audiências públicas. “O sistema tem um custo e é preciso saber quem pagará este custo, se será a prefeitura – que poderá ficar sem fazer investimentos – ou a população”, levantou. “A criação do passe acabaria fazendo com que estudantes de classe média, que tem condições de pagar a passagem, ficassem isentos da tarifa”, atentou.
Zenaldo também ressaltou que é contra a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 37, que delimita o poder de investigação do Ministério Público .
O prefeito enfatizou que agora terá o desafio de reconstruir uma cidade com mais transparência e intensificar o diálogo com a população por meio da realização de audiências públicas. Hoje pela manhã é que será feito a avaliação dos prejuízos provocados pela depredação do palácio Antônio Lemos. “Eu me emocionei com a manifestação, mas lamento que alguns grupos tenham cometido atos de vandalismo”, desfechou.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar