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Vítimas de acidentes de motos cresceram 2.046%

Uma pesquisa divulgada este ano pelo Departamento de Trânsito do Pará (Detran-PA) revela que até 2020 a frota de motocicletas do Estado irá ultrapassar a de carros. Enquanto o total de motos deve chegar a cerca de 3,2 milhões de unidades, o número de carr

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Uma pesquisa divulgada este ano pelo Departamento de Trânsito do Pará (Detran-PA) revela que até 2020 a frota de motocicletas do Estado irá ultrapassar a de carros. Enquanto o total de motos deve chegar a cerca de 3,2 milhões de unidades, o número de carros, apenas em 2022, deve ultrapassar a casa de um milhão de veículos. Por trás do crescimento desproporcional, cresce um problema que é classificado pelo governo como uma verdadeira epidemia: os acidentes de moto.

De acordo com o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), 11.268 motociclistas faleceram no país em decorrência de acidentes em 2011. Os dados são os mais atualizados disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Em 2001, o número de mortes no trânsito entre usuários de motos chegava a 3.100. O aumento corresponde a 263,5% em dez anos.

No início deste mês, um trio de jovens que voltava de uma festa de casamento caiu do elevado Daniel Berg, localizado na Avenida Júlio César. Junelson Quaresma da Silva, de 20 anos, morreu na hora. Ele pilotava a motocicleta que transportava os dois passageiros. De 2004 a 2011, referente aos dados mais recentes disponibilizados pelo Departamento, o número de motociclistas acidentados por quedas cresceu 2.046% no Estado, segundo Carlos Valente, coordenador de planejamento do Detran/PA (Departamento de Trânsito do Pará).

O problema, longe de ser um desafio local, se impõe como um obstáculo a ser superado pela grande maioria dos Estados. Segundo dados do Ministério da Saúde, vinculados ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) são gastos anualmente mais de R$ 28 bilhões no tratamento e pagamento de benefícios a motociclistas acidentados.

No Brasil, o número de acidentados corresponde ao aumento exponencial da frota de motocicletas. De acordo com dados da Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas e Similares (Abraciclo), a quantidade de motos emplacadas no país foi de 4,6 milhões de unidades em 2001 para 18,4 milhões em 2011, um aumento de 300%. Em 2012, dados do seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (Dpvat) mostram que 69% do total de veículos registrados eram motos. O número corresponde a mais que o dobro de carros registrados, com 25% do total.

SEM CONTROLE

Uma pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (Inct), através do Observatório das Metrópoles, revela que a frota de motocicletas em Belém cresceu quase dez vezes em dez anos: de 13.969 em 2001 para 112.905 em 2011, um crescimento relativo de 708%. “Em 2004, foram 168 motociclistas que morreram acidentados no Pará. Já em 2011, esse número chegou a 498 óbitos, um crescimento de 296%.

Com exceção de Belém, Ananindeua e Barcarena, a frota de motos em todos os municípios do Estado já ultrapassa a de carros, em algumas cidades chegando a mais de 90% do total”, explica Carlos Valente.

Para Valente, a estabilidade econômica adquirida pela classe “C”, aliada à facilidade de acesso a financiamentos e reduções consecutivas no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), proporcionou que a frota de motos crescesse significativamente em todo o país. “Um cidadão que pega quatro ônibus por dia gasta cerca de R$ 270 por mês. Ele percebe que ele consegue financiar uma moto boa, nova, com R$ 200 e usar o restante para abastecer. Ele acha mais vantajoso porque vai ter mais comodidade, conforto e vai parar de chegar atrasado ao trabalho”, comenta.

Sobram feridos e faltam vagas

O Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) é o maior da região Norte, de alta e média complexidade, sendo referência em traumatologia e queimados. Ele dispõe de 198 leitos, sendo 27 correspondentes a UTI. Do total, a taxa de ocupação por acidentes de trânsito chega a 85%. Cerca de 75% são acidentes envolvendo motociclistas. Atualmente, o HMUE opera em capacidade máxima com vítimas de politraumas ocupando leitos que poderiam servir a pacientes que sofrem de doenças naturais, como problemas cardíacos. O custo de apenas um acidentado, segundo o diretor do HMUE, varia de R$ 10 a R$ 80 mil. O tempo médio de internação pode chegar a 28 dias em casos mais graves.

Paulo Cezhank, médico à frente Metropolitano, diz que o problema é um “saco sem fundo”. “Não importa quantos leitos novos nós fizermos, nunca vai ser o suficiente para atender à demanda”, assume. O diretor chama atenção para o fato de que, enquanto o número de vítimas de acidentes de carros diminuiu de março a maio de 2012 em relação mesmos meses deste ano, no mesmo período, o número de motociclistas acidentados cresceu 66%. Enquanto acidentados internados que estavam em carros eram 479 e passaram para 402, motociclistas correspondiam a 708 e cresceram para 1.067 pacientes.

Segundo números da Autarquia de Mobilidade Urbana (Amub), o total de notificações aplicadas a motociclistas no período de janeiro a maio deste ano é 12.083. “Conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor sem capacete de segurança” aparece em terceiro lugar no ranking geral de multas, com 6486 notificações. “O motociclista fica mais exposto. Além do capacete, a única defesa que ele tem é o próprio corpo. Por conta de politraumas, o paciente precisa passar de cinco a seis procedimentos cirúrgicos, dependendo da gravidade. O tempo de reabilitação pode chegar a quatro anos”, conta Paulo Cezhank, que afirma que na maioria dos acidentes graves os acidentados estavam sem capacete.

Fora custos com internação e procedimentos cirúrgicos, o HMUE precisa arcar com despesas como medicação, exames complementares e de monitoramento, consultas clínicas e custeio de especialistas. “Fora os recursos que precisam ser usados para tratar estes pacientes, isso gera um custo social grande. É um cidadão a mais que para de trabalhar, passa a receber benefício, e precisa do apoio de familiares que também se tornam improdutivos para tratar de um problema que poderia ser evitado”, comenta o diretor do HMUE.

O Metropolitano faz parte do projeto SOS Emergência, do Ministério da Saúde, e é constantemente monitorado pelo governo federal para evitar que pacientes padeçam em filas. Paulo Cezhank, no entanto, faz um apelo direto aos familiares de motociclistas para evitar que o HMUE tenha um quadro caótico no futuro. “A direção do hospital pede que as famílias, todos os dias, sensibilizem os motoristas e os orientem a serem mais prudentes no trânsito. É fundamental ressaltar a importância do uso de equipamentos de segurança e o valor da vida destes motociclistas para seus entes, já que eles são insubstituíveis”, completa.

Motos somam 80% dos acidentes com passageiros

Segundo os registros oficiais do Departamento de Trânsito, em cerca de 80% dos acidentes de trânsito em que as vítimas são passageiros, elas estavam sobre uma moto. As autoridades oficiais de trânsito estudam a criançao de corredores exclusivos para as motos nas grandes cidades.

Os projetos de mobilidade urbana que incentivam as pessoas a usarem mais o transporte público também são importantes. O esforço conjunto de diversos órgãos é necessário para contornar o problema.

Especialistas dizem que são necessárias penalidade smais rigorosas e responsabilidade no volante. Faltas como imprudência, ultrapassagens perigosas, conversão em locais proibidos e excesso de velocidade estão entre as principais causas de acidentes.
Além disso, as pessoas insistem em carregar mais de uma pessoa como passageiro. Isso não é algo proibido apenas pelo Código de Trânsito, mas que o bom senso mostra que isso é inadmissível.

(Diário do Pará)

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