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Manifestantes voltam às ruas hoje

O anfiteatro da Praça da República lotou na tarde de ontem, quando aproximadamente 500 manifestantes definiram os próximos passos do movimento que tem levado milhares de pessoas às ruas de Belém para reivindicar melhorias no transporte público, saúde, edu

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O anfiteatro da Praça da República lotou na tarde de ontem, quando aproximadamente 500 manifestantes definiram os próximos passos do movimento que tem levado milhares de pessoas às ruas de Belém para reivindicar melhorias no transporte público, saúde, educação, contra a corrupção, entre outras pautas.

Dois protestos já foram realizados, o último na quinta-feira passada. Assim, mantendo a luta, sobretudo pela redução da tarifa de ônibus, hoje e quarta-feira (26), com concentração às 16h e saída às 18h, da frente ao Mercado de São Brás, milhares de pessoas vão às ruas rumo à Prefeitura de Belém, para tentar fazer com que o prefeito Zenaldo Coutinho atenda às reivindicações dos manifestantes.

Todos tinham voz e vez para falar na reunião, bastava se inscrever com um dos manifestantes que anotava os nomes. Uma dinâmica própria precisou ser criada para garantir que todos se entendessem. Cada um com três minutos para dar sua opinião, falava pausadamente enquanto os que estavam mais perto repetiam para garantir que todos ouvissem. Assim, foram mencionados muitos temas.

A estudante Lai Ferro, que estava participando da reunião afirma estar ansiosa para a próxima manifestação. “Eu não pude ir nas duas que tiveram, mas ajudei pelas rede sociais. Mas nessa eu vou. Poucas pessoas, como eu que vim de escola pública, sabem da dificuldade para conseguimos algumas coisas. Só espero que dessa vez seja de forma pacífica”, comenta.

Enquanto isso, outros manifestantes falavam em organizar caminhadas dia sim, dia não. Também mencionaram criar documentos oficiais pedindo planos emergenciais aos poderes municipal, estadual e federal.

PAUTA

Para o universitário Ramon Rodrigues, é necessário focar em uma pauta para obter a primeira vitória e dar força ao movimento. “Quero propor que se mantenha a pauta da redução de tarifa. Precisamos de um ganho real para estimular a luta. Assim podemos agregar as outra pautas. Também queremos organizar a comissão de segurança para dialogar e bloquear os manifestantes na frente da prefeitura para que ninguém tente entrar”.

Depois de quase três horas de reunião, os próximos dois atos ficaram definidos, priorizando as pautas do transporte público. “Juntos marcamos mais duas manifestações. Uma na segunda e outra na quarta no mesmo horário e mesmo lugar. Também definimos que vamos montar uma corrente de contenção humana durante todo o percurso do ato até a prefeitura de Belém, para evitarmos a confusão da última quinta-feira”, comenta Leonardo Reis, um dos integrantes do Comitê Passe Livre em Belém.

Nas ruas de Belém contra a PEC 37

O Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 37 - que prevê que as investigações criminais fiquem restritas à atuação da Polícia Civil e da Polícia Federal – foi alvo de mais protestos em Belém na manhã de sábado. Estampada em vários cartazes durante a grande manifestação da última quinta-feira, o ‘não’ à aprovação da PEC foi reforçado no protesto que seguiu da Praça da República até a sede do Ministério Público do Estado do Pará (MP).

Constatada a adesão maciça de jovens que também se demonstravam contrários ao projeto que, se aprovado, impedirá a participação do Ministério Público em investigações criminais, a Associação do Ministério Público do Pará (Ampep) comemorou o apoio. “O MP já vem nessa campanha para esclarecer sobre os efeitos dessa PEC e ficamos muito felizes de ver a juventude também brigando contra um projeto que tem como tendência aumentar a corrupção”, afirmou o promotor e presidente da Ampep, Samir Dahas.

Maioria dentre os que caminharam em direção à sede do órgão, os jovens se concentraram ao lado do Teatro da Paz desde o início da manhã para pintar os rostos e cartazes. Responsável por pintar o que clamava pela queda do projeto, o estudante Denilson Silva, de 21 anos, também acreditava no resultado positivo. “Querem calar o MP que é responsável por investigar vários casos de interesse da sociedade. Essa é uma forma de deixar os corruptos soltos para fazerem o que eles querem”, acredita. “Estamos aqui (nas ruas) para que ela não seja aprovada e para mostrar que devemos ser ouvidos porque essa PEC não vai beneficiar a gente em nada”.

MOBILIZAÇÃO

O empresário Carlos Fernandes, 54 anos, também resolveu caminhar contra o projeto. “Concordar com essa PEC é dar passaporte para a corrupção. Acredito que com essa mobilização eles vão pensar dez vezes antes de aprovar esse projeto. Se ele for aprovado, não sei as consequências que isso poderá ter”, disse, ao pontuar que acompanhava o filho e um amigo. “O MP não é polícia, mas tem o conhecimento jurídico para atuar nesses casos de lapidação do erários público”.

Com o mesmo teor apartidário observado nas duas maiores manifestações realizadas na capital paraense recentemente, durante o protesto pela derrubada da PEC 37, muitos jovens também empunhavam bandeiras do Brasil e cantavam o hino do país e do Pará. Com gritos de “vem pra rua” e sem que houvesse um encaminhamento político à frente do protesto, por vezes, a manifestação parava no meio do caminho e silenciava.

Recebidos com água mineral e palavras de apoio pelo Ministério Público assim que chegaram à frente da sede, no bairro da Cidade Velha, os manifestantes se sentaram e ouviram de forma democrática os que pediam para se pronunciar no microfone.

“Vocês estão mostrando que tem uma razão. Nenhuma vidraça quebrada aqui ou acolá vai recuperar a vida de crianças que estão morrendo nos prontos-socorros. Querem desmotivar vocês, mas o movimento é justo e pacífico”, destacou o procurador geral do MP, Marcos Antônio Ferreira das Neves. “Hoje temos a PEC 37. Querem calar o MP porque querem continuar negando os direitos fundamentais”.

(Diário do Pará)

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