Na manhã de ontem, um grupo de estudantes universitários ligados a diversas áreas da saúde organizou um protesto que saiu da Praça Eneida de Moraes em direção à Santa Casa de Misericórdia do Pará. Eles são contrários ao Projeto de Lei que trata do chamado Ato Médico, aprovado na semana passada pelo Senado. O projeto em questão define quais são as atividades exclusivas dos médicos, que só podem ser realizadas por eles ou com sua autorização.
Organizados em um grupo de cerca de 300 pessoas, os manifestantes pediam o veto ao projeto pela presidenta Dilma Rousseff. “Não somos contra a regulamentação da profissão de medicina, mas o Ato Médico fere o princípio da igualdade no Sistema Único de Saúde, na medida em que estabelece uma hierarquização dos profissionais, colocando os médicos acima dos demais”, argumentou o estudante de psicologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Anderson Castro, um dos líderes do movimento.
DESCONFIANÇA
O projeto é visto com desconfiança por muitas categorias pelo caráter limitado que poderá tomar a visão sobre a saúde. O texto aprovado comprometeria a ideia da atenção multidisciplinar à saúde.
A principal queixa é relacionada ao Inciso I do Artigo 4°, segundo o qual entre as atividades privativas do médico está a “formulação do diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica. “Isso quer dizer que o paciente só poderá ser encaminhado para um nutricionista ou psicólogo se antes se submeter a uma consulta com um clínico geral. É um retrocesso”, disse Anderson.
Na chegada à Fundação Santa Casa, o movimento ganhou o apoio de alguns funcionários do hospital. A pauta de reivindicação cresceu e a avenida Generalíssimo Deodoro acabou interditada.
“Com o apoio dos funcionários da Santa Casa, protestamos também contra a precarização e terceirização da saúde e pelos cortes de gratificações que funcionários estão sofrendo”, afirmou o universitário. A via foi completamente liberada um pouco antes das 12h.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar