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Saúde em crise leva servidores às ruas em protesto

Ontem, funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Agentes de Controle Epidemiológicos (ACEs) e Agentes Comunitários de Saúde (ACSs), paralisaram as atividades com o objetivo de pressionar a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) a atend

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Ontem, funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Agentes de Controle Epidemiológicos (ACEs) e Agentes Comunitários de Saúde (ACSs), paralisaram as atividades com o objetivo de pressionar a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) a atender as pautas das categorias. Os funcionários ligados à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) promoveram atos conjuntos, em um indicativo de greve, visando também cobrar medidas pontuais para melhorar a situação da saúde pública de Belém.

Durante a manhã, apenas 30% do serviço prestado pelo Samu estava disponível à população. Não houve controle ou hostilização por parte dos servidores municipais na saída das ambulâncias. A paralisação durou seis horas, mas unidades móveis estavam saindo para atender emergências.

Segundo Fábio Pavão, diretor da Associação dos Socorristas de Belém, a mobilização em frente à sede do Samu visou não apenas atender aos anseios da categoria. “Das 18 ambulâncias que deveriam estar na rua, só nove estão rodando. Das sete unidades novas, só quatro estão funcionando. Há mais de oito meses as ‘ambulanchas’ que deveriam atender os ribeirinhos estão paradas”, denuncia o diretor.

De acordo com Pavão, além dos veículos rodarem em condições impróprias, os socorristas não dispõem de material para trabalho em algumas unidades. “Nós também reivindicamos o nosso direito a troca de plantões, que é algo que não está sendo respeitado. Além disso, nós estamos sofrendo assédio moral por conta de corte nos nossos gastos em alimentação, pressão em cima dos funcionários, dentre outras situações”, diz.

Os técnicos do Samu também reprovaram a intenção do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), em discussão com o Ministério da Saúde, de substituir um de cada dois técnicos em enfermagem que atendem nas unidades móveis por um enfermeiro graduado. Segundo o diretor administrativo do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública do Estado do Pará (Sintesp-PA), Moisés Monteiro, os rumores de que a PMB acate a recomendação preocupam.

“Nós não somos contra os enfermeiros, nem duvidamos da capacidade deles. Mas são 100 técnicos que vão ser remanejados pra onde? Você vai tirar pessoas que estão há anos se capacitando e desenvolvendo a mesma atividade pra colocar no administrativo? E a questão salarial? Isso causa um impacto muito grande na vida das pessoas”, diz Monteiro.

Agentes Comunitários de Saúde e de Controle Epidemiológico também protestaram. Eles exigem que o prefeito Zenaldo Coutinho se comprometa a atender reivindicações que incluem pagamento de insalubridade, vale alimentação e a implantação concreta de um acordo coletivo de trabalho. O Sintesp/PA recorre junto ao Ministério Público do Trabalho e Tribunal Regional do Trabalho para que as pautas sejam acatadas pela PMB. Ontem, os ACEs e ACSSs protestaram em frente ao Palácio Antônio Lemos e em seguida caminharam até à sede do Samu, onde as paralisações terminaram em um ato conjunto. Amanhã à tarde, os servidores devem ser recebidos na PMB para discutir as demandas.

Resposta

Em nota, a A Sesma informa que 30% dos servidores do Samu 192 Belém estiveram em atividade durante a paralisação que durou seis horas. A Sesma informa ainda que já está avaliando a pauta de reivindicações dos servidores.

Em relação à ‘ambulancha’, a secretaria informa que o veículo está em manutenção e assim que o serviço for finalizado será colocada em operação. Em relação a paralisação dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combates, a secretaria informa que as reivindicações que dependem de licitações já estão em fase final. Em relação ao reajuste salarial da categoria, a Sesma já está avaliando junto ao departamento de Recursos Humanos as finalizações deste.

Sindicato dos Médicos vai às ruas cobrar explicações

O Sindicato dos Médicos do Estado do Pará vai para as ruas amanhã protestar contra o caos na saúde. Entre os alvos da manifestação estão a possibilidade de repassar a administração da Santa Casa para uma organização Social, a exemplo do que já ocorre com os hospitais regionais e com o Metropolitano em Ananindeua. Além disso, o Sindmepa quer explicações sobre o não pagamento de 10% dos plantões feitos no mês de maio.

“Pedimos uma audiência com a secretária de Administração (Alice Viana) para que ela explique as razões porque o secretário de saúde, Hélio Franco, parece a rainha da Inglaterra”, diz o diretor da entidade, João Gouveia.

Cerca de três mil servidores da área da saúde foram surpreendidos com o não pagamento nos contra-cheques de junho (liberados no final do mês) e com o não pagamento de parte dos plantões feitos em maio. Em geral, esses plantões são pagos em até 60 dias. O corte causou revolta e reclamações dos profissionais da saúde que se sentiram desrespeitados.

Na última sexta-feira, a titular da secretaria de Administração, Alice Viana, admitiu o não pagamento, mas garantiu que não houve corte. Em entrevista coletiva, ela explicou que houve apenas um adiamento. Ela explicou que, em maio, houve um aumento de R$ 1, 5 milhão nos plantões, somado ao aumento da folha por conta do pagamento das férias dos professores que costumam receber o benefício no contra-cheque de julho.

O adiamento, segundo o governo, foi feito para evitar que o Pará ultrapassasse o limite previsto para gastos com pessoal, segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal (54% da Receita Corrente Líquida, que é a arrecadação menos impostos).

Ontem, o boato é de que o corte poderia ser definitivo. “Se isso ocorrer, será o mesmo que fechar os hospitais, porque parte do pessoal é temporário e trabalha em regime de plantão. Os concursados são minoria”, disse Gouveia. A assessoria de imprensa da Sespa disse não ter informações sobre novos cortes. O governo garantiu, por meio da Secretaria de Comunicação, que os plantões de junho serão pagos sem problemas. “Nosso temor é de que esses adiamentos se tornem rotina”, diz o diretor do Sindicato.

Familiares de uma paciente com câncer pedem ajuda

Sem saber a quem mais recorrer, a família de Eremita Saraiva, 52 anos, veio até a sede do grupo RBA em busca de socorro. Eremita há dois meses faz tratamento no Hospital Ophir Loyola (HOL), onde tenta se salvar de um câncer de vulva. No último final de semana, a família percebeu que Eremita apresentava larvas na área genital e seu estado de saúde piorou. Domingo (30), mesmo após uma longa espera, os familiares contam que não conseguiram internar Eremita no HOL. A paciente precisou voltar para casa. Sem ter recursos para pagar um leito particular e dar atenção devida à paciente em casa, o que provocou o surgimento das larvas, a família teme que Eremita morra sem ajuda.

Elziane Lima, sobrinha de Eremita, explica que a família é humilde e que a tia veio de Breves para tentar se curar da doença. A radioterapia é feita todos os dias, pela parte da noite, e a família diz que necessita alugar um carro particular apenas para fazer o transporte da paciente, que mora em Ananindeua.

Fátima Lima, cunhada de Eremita, diz se sentir desesperada, pois conta que o apoio oferecido pela rede pública de saúde não é suficiente para garantir que a paciente sobreviva. “A gente pede, pelo amor de Deus, pra que se alguém puder nos ajudar a conseguir um leito, que entre em contato. A gente não quer ver ela morrendo assim. É muito triste”, comenta. Em nota, a assessoria de imprensa do Hospital Ophir Loyola informa que Eremita passa por sessões de radioterapia, mas não consta nos registros do HOL solicitação de internação no domingo. “Sobre as larvas na região genital, o hospital esclarece que não estão relacionadas com o câncer ou com o tratamento em si, mas com a falta de cuidados íntimos”, explica a assessoria, que informa ainda que agendou uma consulta para a reavaliação com o radioterapeuta para amanhã. Segundo a assessoria, apenas o terapeuta poderá avaliar se a paciente corre risco de morte.

Quem puder ajudar a família, pode entrar em contato com Fátima Lima pelos números 3231-9257 e 8107-6702.

(Diário do Pará)

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