Parte de Belém ficou às escuras e o trânsito se transformou em um caos por conta dos semáforos apagados e da forte chuva. A água começou a cair por volta das 18h e, por volta das 23h, a chuva ainda continuava intensa. Esta situação deixou várias pessoas presas no trânsito, nas paradas, nos postos de gasolinas e até dentro dos ônibus por várias horas.
Na travessa Lomas Valentina que seguia da Almirante Barroso até Senador Lemos, o trânsito parou e o blecaute tomou conta das ruas. A doméstica Lúcia Negrão que pretendia chegar ao Distrito Industrial, em Ananindeua, por volta das 19h depois de um dia de trabalho, optou por descer do ônibus e andar até uma parada mais próxima. “Estamos parados há muito tempo porque o sinal apagou e todo mundo quer furar a frente do outro. Desci e vou andando na chuva, mesmo com medo dessa escuridão, até um perímetro menos engarrafado”.
Na Almirante Barroso, o trânsito seguiu engarrafado e sem semáforo nos cruzamentos. A administradora Thatyanne Pantoja, que saiu do trabalho no bairro de Batista Campos para o bairro da Sacramenta, relatou que já estava há horas parada no engarrafamento. “Já estou com medo de ficar parada dentro do carro. As ruas escuras com esse apagão, a cidade sem luz e chovendo muito, acabamos correndo risco de assalto também. O trânsito é caótico em Belém, mas hoje a cidade parou”.
Thatyanne escolheu seguir pela Duque de Caxias, que também ficou sem energia e com a maioria dos semáforos apagados. “Vou demorar bem mais que o normal para chegar em casa e além de tudo, muito cansada”.
ENGARRAFAMENTO
Da Pedro Miranda com a Lomas Valentina até a Alcindo Cacela o trânsito permaneceu parado durante aproximadamente 50 minutos. No cruzamento da travessa Humaitá, dois policiais militares ajudaram a controlar o engarrafamento. Entre as travessas do Chaco e Curuzú Henrique Santos, que trabalha com guinchos de veículos, aproveitou para ajudar os motoristas. “Como estou aqui, resolvi dar uma força, sinalizar a pista e avisar por onde passar, já que está tudo alagado”.
“Estou querendo chegar em casa e não consigo”, reclamava a professora de Sociologia, Beatriz Lima moradora de um edifício na 25 de Setembro, que estava aguardando o retorno da energia para poder subir para o apartamento dela no 8º andar.
Meteorologia
Segundo o coordenador do 2° Distrito de Meteorologia (2° Disme) do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), José Raimundo Abreu, choveu em torno de 40 milímetros ontem até às 21h, “podendo ser mais”. Segundo ele, isso é incomum, já que “a média para o mês de julho é de 150 milímetros, ou seja, já choveu boa parte disso hoje (ontem)”. Raimundo afirmou que essas pancadas de chuva serão frequentes nos primeiros 15 dias do mês e que é bem provável que este ano as chuvas ultrapassem a média histórica prevista.
Passageiras não conseguiram embarcar em voos
Muitos passageiros também tiveram problemas para embarcar no aeroporto Internacional de Belém. Apesar da chuva não ter prejudicado os pousos e decolagens e o aeroporto ter permanecido aberto e funcionando normalmente, os alagamentos causados pela chuva e a falta de energia fizeram com que muita gente chegasse atrasada e perdesse o voo.
Uma senhora que não quis se identificar e nem falar com a imprensa ficou irritada no início da noite por ter perdido o voo. A passageira Lorena Sousa, 24, que tinha voo para São Paulo, marcado para as 19h, também se atrasou por causa da chuva e acabou não embarcando. Ela chegou a pedir o ressarcimento da passagem e reclamou muito, mas não conseguiu. Lorena que estava com muita pressa de chegar à capital paulista teve que comprar outro bilhete, em outra companhia aérea e ficou de embarcar na madrugada de hoje.
CELPA
Em nota, a Celpa confirmou a interrupção de energia nos bairros da Pedreira, Sacramenta, Telégrafo, Marco, Souza, Miramar, Val de Cães e Maracangalha. Segundo a distribuidora de energia elétrica, o apagão foi causado pelo temporal que iniciou no final da tarde de ontem.
A concessionária disse que deslocou equipes que fizeram manobras no sistema para restabelecer a maior parte das áreas afetadas, mas “por causa do congestionamento causado pelos alagamentos as equipes tiveram dificuldade para chegar a vários pontos da cidade”.
Em outra nota, a Celpa acrescenta novos bairros alvos do apagão. Segundo a Celpa, os bairros Miramar, Val de Cães , Maracangalha tiveram a energia restabelecida às 20h36. Já o centro de Ananindeua e o Distrito Industrial foram normalizados às 20h53. Bengui, Panorama 21, Cabanagem e Carmelândia voltaram a ter energia às 21h10. E às 22h10, o fornecimento de energia dos bairros Pedreira, Sacramenta, Telégrafo, Marco, Souza, alimentados pela Subestação Pedreira, foi normalizado, segundo a Celpa. As equipes continuavam “trabalhando intensamente para restabelecer o fornecimento de todos os clientes isolados o mais rápido possível”, diz a nota.
Árvore cai em cima de carro no Umarizal
Ainda com a chuva intensa de ontem, uma mangueira de médio porte caiu em cima de um carro e fechou parte da pista na rua Curuçá, no bairro Umarizal. Segundo Nazaré Souza, o vento estava muito forte quando a árvore caiu. “Ouvimos um barulho, como se fosse um estrondo. Mas chovia muito. Quando viemos na porta é que fomos ver a árvore na pista e em cima de um carro”. Ninguém ficou ferido, segundo testemunhas.
Roberto Araújo contou que a mangueira não caiu de uma vez, o que evitou danos maiores. “Pelo peso da raiz, que fica presa no concreto da calçada, ela não virou com toda força, o que amenizou o impacto dela no chão”.
A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), informou que o proprietário do veículo pode dar entrada com um protocolo na secretaria para pedir ressarcimento. O processo então será analisado pelo departamento jurídico. Ainda segundo a nota, uma equipe deverá ir hoje ao local para fazer a perícia e verificar o motivo da queda da árvore para emitir o laudo.
AMUB
A Autarquia de Mobilidade Urbana de Belém (Amub) informou que colocou “todo o efetivo nas ruas e cinco viaturas, com ênfase na atuação em pontos críticos”. Entre eles foram citados o transbordamento do canal da avenida Tamandaré; um acidente na avenida Júlio César, próximo à avenida Centenário, envolvendo dois caminhões; a avenida José Malcher entre 14 de Abril e 9 de Janeiro, que ficou “completamente intrafegável”.
A Amub citou ainda como pontos críticos as principais vias atingidas pela falta de luz; e ainda a área onde se concentraram os manifestantes, que no final da tarde seguiram rumo à Câmara Municipal de Belém (CMB).
Para o ex-militar, José Wiliam, que se dispôs a ajudar os motoristas tentando organizar o trânsito na Almirante Barroso com Lomas Valentinas, não ocorreu nem falta de contingente e sim “ displicência, só displicência mesmo”. Ele permaneceu naquele cruzamento das 18h30 até por volta das 21h, quando dois agentes da Amub finalmente apareceram no local.
(Diário do Pará)
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