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Servidores da saúde mantém paralisações

Os funcionários do Hospital de Clínicas Gaspar Viana (HC) fazem hoje uma paralisação de seis horas reivindicando melhorias salariais e de condições de trabalho. A paralisação está prevista para começar às 7h, com concentração em frente ao hospital, na tra

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Os funcionários do Hospital de Clínicas Gaspar Viana (HC) fazem hoje uma paralisação de seis horas reivindicando melhorias salariais e de condições de trabalho. A paralisação está prevista para começar às 7h, com concentração em frente ao hospital, na travessa Alferes Costa, bairro da Pedreira.

Segundo o diretor de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública no Pará (Sintesp), Carlos Haroldo Costa Júnior, o sindicato protocolou, ontem, um ofício pedindo audiência com a presidência do hospital.

Eles apresentaram uma pauta de discussão que inclui a padronização do ponto eletrônico, por condições de trabalho, contra descontos indevidos de plantões, distribuição mais equânime da gratificação de desempenho institucional, remuneração para o 11º plantão, manutenção da escala atual de serviço, entre outras reivindicações.

Segundo Carlos, os trabalhadores fizeram um abaixo-assinado em que decidiram sobre a paralisação. Ele afirmou também que vão garantir os 30% de trabalhadores para manter o funcionamento da urgência e emergência. Segundo uma funcionária que não quis se identificar, a situação do hospital seria precária. “O Hospital de Clínicas não está recebendo crianças em estado grave”.

A assessoria do HC informou que a direção do hospital entrou com um pedido de liminar na Justiça para garantir que 50% dos funcionários permaneçam trabalhando. “A área de saúde é essencial, por prevenção queremos garantir o funcionamento do hospital que é de média e alta complexidade com atendimento de urgência e emergência nas áreas de cardiologia e psiquiatria”.

Segundo a assessoria, “não houve comunicação prévia” e o documento enviado à direção do hospital não passava de “um panfleto” em que não consta nem a assinatura do presidente do sindicato que seria um dos seis sindicatos que estariam reivindicando a representação dos trabalhadores da área de saúde em Belém. O hospital pediu a ata da assembleia que decidiu pela paralisação e até a carta do sindicato.

PSM DO GUAMÁ

Os servidores do Pronto Socorro do Guamá fizeram uma assembleia, ontem à noite, em um hotel no bairro de São Brás, e decidiram fazer uma paralisação no próximo dia 11, quando haverá uma paralisação nacional na área de saúde.

Os servidores querem isonomia salarial com os do PSM Mário Pinotti; incorporação de abonos (em torno de R$ 600); vale alimentação de R$ 300, adicional de turno, reposição de perdas de 20,84% e melhores condições de trabalho e de atendimento da população.

Segundo Moisés Monteiro, diretor de Administração do Sintesp, “a categoria está em mobilização para um indicativo de greve”. “Os médicos trabalham com dipirona no bolso para dar para os pacientes, provavelmente amostras grátis, mas não dá pra todos”, disse. “Não tem material e equipamentos e os profissionais não são valorizados”.

Segundo os funcionários, o aparelho de raio-X está quebrado e as ambulâncias do hospital são chamadas de “sucatão” e “sucatinha”. O refeitório foi transformado em pediatria e hoje eles comem em pé “no meio das bactérias”.

AGENTES

Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e de Endemias (ACE) farão uma manifestação, também hoje, em frente à Prefeitura de Belém, a partir das 14h. Eles têm uma audiência com o prefeito Zenaldo Coutinho marcada para as 16h.

Segundo Carlos Costa, o sindicato “está cumprindo o ritual estabelecido na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e na Constituição para, se for o caso, construirmos a greve geral destes trabalhadores que têm direito a convenção coletiva de trabalho anualmente, já que têm carteira assinada”. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que não iria se manifestar sobre o assunto.

Caos na saúde já foi denunciado à OEA

Médicos e demais profissionais de saúde estão convocando para a manhã de hoje uma manifestação em defesa da qualidade da saúde no Estado. O atendimento deve ser reduzido, uma vez que os médicos que participarão do ato irão paralisar atividades durante a manifestação.

Apesar de ser apontada como prioridade pelos governos estadual e municipal, essa é uma das áreas onde a qualidade dos serviços públicos tem demonstrado as maiores falhas. Especialistas ouvidos pelo DIÁRIO são unânimes em afirmar que o problema está na atenção básica, e que estes acabam deslanchando na urgência e emergência, onde o caos é só a ponta do iceberg de problemas não resolvidos.

Em Belém, os principais retrados do caos são a Santa Casa de Misericórdia e os dois prontos socorros municipais de Belém. A Santa Casa é a maior maternidade do Pará. Recebe pacientes de todo o Estado, em geral, grávidas em situação de risco e que não foram devidamente atendidas na fase de pré-natal.

Os prontos socorros recebem pacientes que não encontram atendimento nas unidades básicas nos bairros. Relatório feito pelo Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) revela que cerca de 70% dos pacientes atendidos nos grandes hospitais apresentam casos definidos como emergências de baixa complexidade que deveriam ser atendidas nas unidades de saúde.

Não por acaso, o atendimento de urgência e emergência do Pará foi incluído, ao lado de outros cinco Estados na denúncia feita pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam) à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). A denúncia foi feita após uma série de visitas pelo país. No Pará, foram visitados em novembro do ano passado, o PSM da 14 de Março e o Hospital Metropolitano.

CENÁRIO

O cenário encontrado foi desolador. Pacientes atendidos em macas em corredores, falta de medicamentos e aparelhos de auxílio de diagnóstico quebrados. Na última sexta-feira, em entrevista ao DIÁRIO, o titular da Secretaria de Estado da Saúde, Hélio Franco disse que não há equipamentos quebrados e que os hospitais do Estado funcionam normalmente.

Uma nova crise chegou ao ápice no final de semana com a redução a zero do estoque de medicamentos essenciais para o atendimento de emergência, como os usados no combate à dor. Faltam também gaze, esparadrapo, soro fisiológico e escalpos, usados para aplicação de soro.

Tão logo assumiu o governo municipal, o atual prefeito Zenaldo Coutinho publicou decreto que permitia a compra sem licitação. Por isso, a falta de medicamentos agora surpreendeu. Na última sexta-feira, a prefeitura informou que o problema seria resolvido no final de semana, mas até ontem, os estoques não haviam sido reabastecidos. Ontem, o prefeito anunciou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda hoje deve chegar o carregamento com 15 mil itens para postos de saúde e prontos socorros.

Na Santa Casa a superlotação tem levado à precariedade do atendimento e mortes que poderiam ser evitadas, apesar do discurso oficial da Secretaria estadual de Saúde (Sespa) de que as mortes estão “dentro da normalidade”.

O mês de junho foi atípico. Os dados ainda não foram fechados, mas apenas nos 24 primeiros dias foram 42 mortes, segundo o Sindmepa. Na primeira quinzena a média era de duas mortes por dia. Após denúncia, feita por um médico pediatra, a Sespa chamou a imprensa, negou os problemas, mas o fato é que após a denúncia, a média voltou a cair.

A Fundação Santa Casa do Pará informou ontem, por meio de nota, que está trabalhando na normalidade com a equipe multiprofissional e que, por meio do serviço de regulação de leitos, tem controlado a superlotação.

(Diário do Pará)

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