Desde as primeiras horas de ontem (2), as rodovias BR-230 (Transamazônica) e BR-422, que cortam os municípios de Novo Repartimento, Itupiranga e Altamira estão fechadas por centenas de manifestantes que lutam pelo asfaltamento imediato das rodovias. A Transamazônica vai ficar fechada por tempo indeterminado. Além do asfaltamento em caráter de urgência, também está sendo exigida a inclusão da BR-422 no trecho Tucuruí a Cametá (Transcametá), no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal.
Na Prefeitura de Novo Repartimento, os manifestantes pedem a intervenção do Ministério Público Federal para investigar as licitações fraudulentas, já denunciadas pelo Ministério Público Estadual, mas que por indícios da malversação de recursos federais em beneficio de ‘laranjas’ que ganharam licitações de valores astronômicos, como por exemplo, a contratação da locação de 920 veículos pelo valor de R$ 22 milhões, os manifestantes pedem ação do MPF.
Para os manifestantes após 43 anos do início das obras de pavimentação da BR-230 (Transamazônica), esta será uma das únicas chances que a população tem para garantir a conclusão do asfaltamento da rodovia que atravessa o país, e que agora tem um papel primordial que é o de levar desenvolvimento para a região de uma das grandes obras do governo federal em Altamira, a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.
INCIDENTES
O comandante da Polícia Militar em Novo Repartimento, capitão Juniel, disse que até o final da tarde de ontem não foi registrado nenhum incidente. Ele garantiu que não houve confronto entre manifestantes e motoristas parados nos bloqueios, apesar do grande engarrafamento que se formou em ambas as direções da rodovia Transamazônica, em Novo Repartimento.
ITUPIRANGA
Em Itupiranga, a Transamazônica foi interditada na altura do km 68, distrito de Cajazeiras. Na cabeceira da ponte do rio Cajazeiras foram queimados pneus. Toras de paus foram colocadas no meio da estrada. Elias Cunha Neto, um dos organizadores do movimento, disse que a ocupação será por tempo indeterminado até que alguém do Governo Federal apareça para negociar.
Elias disse ainda que a manifestação seguirá pacífica e com muito apoio dos pecuaristas, comerciantes e da população em geral.
TIROTEIO
Em Novo Repartimento houve tiroteio pela madrugada, depois que um ônibus da empresa Transbrasiliana - lotado de passageiros, tentou furar o bloqueio e foi alvejado à bala. Segundo o passageiro Ribeiro da Silva Costa, 56, eles viveram um terror, quando três tiros foram disparados contra o ônibus. O motorista Alan Cardek, negou ter furado o bloqueio. Disse apenas que o ônibus encostou em uma corda, amarrada a um carro pequeno e por isso os manifestantes seguiram o ônibus e dispararam vários tiros contra o veículo. Os atiradores foram presos e autuados em flagrante, por porte ilegal de arma de fogo, formação de quadrilha e tentativa de homicídio.
O comandante da PM de Novo Repartimento, capitão Juniel, esclareceu que o fato foi isolado e ocorreu às 2h30 de ontem. O ônibus seguia viagem para Novo Repartimento pela BR-230. Os disparos foram no bagageiro do ônibus e ninguém ficou ferido.
Para manter o protesto, o movimento está abastecido com algumas cabeças de gado para alimentação. Os manifestantes também estão lutando por melhorias na saúde, educação e transporte público de qualidade. (com Juscelio Ferreira, de Itupiranga)
Manifestantes ocupam a Câmara de Tucuruí
Em Tucuruí, sudeste do Pará, manifestantes continuam na luta pela redução da tarifa e agora extensiva para que a Câmara Municipal aprove a Lei do “Passe Livre” para estudantes e desempregados. Os manifestantes querem que o prefeito Sancler Ferreira (PPS) encaminhe o projeto de lei ao legislativo para aprovação e entrada em execução. Na manhã de ontem (2), os manifestantes ocuparam a sede da Prefeitura de Tucuruí e, por volta das 11h, estenderam a ocupação ao prédio sede da Câmara Municipal.
Os manifestantes ocuparam o prédio sede da Prefeitura até às 16h de ontem, e saíram por força de liminar. Eles queriam forçar uma posição do prefeito Sancler. Após terem suas entradas boicotadas no prédio da Prefeitura, o grupo se dirigiu à sede da Câmara de Vereadores e também ocupou o local. De lá prometem só saír após o envio do projeto de redução da tarifa e do “Passe Livre” pelo prefeito à Câmara.
Segundo informações, a Prefeitura prometeu ainda neste semestre contratar empresa especializada para um estudo detalhado do transporte coletivo, onde, só assim poderia ser possível saber o valor real da tarifa do transporte coletivo que deve ser instituída em Tucuruí.
A Prefeitura não esclareceu o porquê que durante os últimos dois reajustes do valor da passagem, estes estudos nunca foram realizados.
Os manifestantes deram como proposta para cobrir as despesas da redução do valor da tarifa e a entrada em execução do passe livre, a transferência pelo prefeito da dotação de propaganda institucional, que neste ano de 2013 tem verba garantida para custear a propaganda institucional da Prefeitura em mais de R$ 2 milhões. A Prefeitura foi procurada para se manifestar, mas está de recesso até dia 16 de agosto.
(Diário do Pará)
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