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Falta de leitos leva pacientes ao desespero

A respiração ofegante e o corpo completamente inchado sobre a cama não lembram mais a paciente que há cinco semanas foi internada no Hospital Santa Clara, no bairro do Marco, conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Tânia Maria dos Santos Vale, 44 anos

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A respiração ofegante e o corpo completamente inchado sobre a cama não lembram mais a paciente que há cinco semanas foi internada no Hospital Santa Clara, no bairro do Marco, conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Tânia Maria dos Santos Vale, 44 anos, não deveria mais estar lá. As dores chegam a causar desmaios, a infecção generalizada se espalhou pelo corpo, a diabetes agravou seu estado clínico. Tânia agoniza e agora mal enxerga. Desde o dia 29 maio, seis dias após sua entrada, o Hospital Santa Clara solicitou à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) transferência imediata da paciente a uma unidade com melhor infraestrutura. Mesmo diante de requisição do Ministério Público do Estado (MPE), o Departamento de Regulação da Sesma (Dere/Sesma), responsável pela Central de Leitos, não manifestou parecer sobre o assunto. A família de Tânia, mãe de três filhos, está desesperada.

Familiares de Tânia contam que ela foi internada em maio no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14, por conta de complicações causadas pela diabetes. Após quatro dias, os familiares dizem que ela foi transferida para o Santa Clara. O MPE envia ofícios à Sesma desde junho pedindo informações e deslocamento, com urgência, de Tânia Maria a um hospital de referência que possua leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) disponível. O último ofício enviado pela 5ª Promotora de Justiça de Direitos Constitucionais Fundamentais, Defesa do Patrimônio Público e Moralidade Administrativa, Mariela Corrêa Hage, foi na última quinta-feira (04) solicitando cumprimento da solicitação e transferência da paciente no prazo máximo de 24 horas, esgotadas ontem.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) já se manifestou ao MPE informando que “de acordo com a legislação do SUS, a regulação dos leitos no âmbito do município de Belém é, na sua totalidade, competência da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), não tendo a Sespa ingerência sobre tal”. A Sespa também esclareceu que, desde o final de junho, mantém contato diário com a Central de Leitos da Sesma, que confirmou o cadastro da paciente, mas ainda está na busca de uma vaga disponível. A informação data do dia 28 de junho. O diretor-clínico do Hospital Santa Clara, Renato Chalú, apresentou ofício confirmando que o pedido para transferência da paciente foi efetuado no dia 29 de maio. “Infelizmente, nós não podemos fazer muita coisa por ela aqui. Nós estamos limitados e a situação dela, realmente, é crítica e muito grave. O ofício há mais de um mês foi encaminhado à Sesma e até agora não tomaram uma providência. É um absurdo”, comenta.

Além de diabetes e infecção generalizada, o quadro clínico de Tânia Maria envolve mal funcionamento dos rins e uma série de complicações. A família diz que a paciente já não consegue mais ficar sentada e faz as necessidades fisiológicas com muita dificuldade. Por meio de nota, a assessoria de comunicação da Sesma informou que “a paciente Tânia Maria dos Santos já está cadastrada na central de leitos de Belém em caráter de prioridade, e assim que for liberado leito em um dos hospitais da rede a paciente será transferida imediatamente”.

SITUAÇÃO CRÍTICA

A situação dos PSM da 14 de Março e do Guamá continua, por enquanto, na mesma. É o que afirmam os próprios funcionários, que preferem não se identificar para denunciar a situação dos hospitais. Um dos que trabalham na 14 de Março explica que a manifestação feita no final do mês passado ainda não deu resultados: “Não pagaram nosso ticket alimentação, o tomógrafo ainda não está funcionando. E a situação no Guamá é ainda mais complicada, porque mandam muitos pacientes pra cá”. Foi o caso de Danielle Silva, que veio do município de Tomé-Açu trazer a filha de três anos que está com suspeita de apendicite. “Nós viemos encaminhadas de lá, fomos ao PSM da 14, nos mandaram aqui para o do Guamá e agora estão nos mandando novamente para o da 14”.

(Diário do Pará)

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