Os bragantinos se frustraram com o “presente” do Governo do Estado pelos 400 anos de fundação do município: 2 quilômetros de estrada asfaltada, que liga a BR-308 à comunidade do Camutá. Enquanto isso, o palacete centenário, onde funcionava a Escola Estadual Mâncio Ribeiro, permanece em total abandono, o que corresponde a mais uma promessa não cumprida pelo governador Simão Jatene.
As pontes da estrada de Ajuruteua também não foram entregues para a temporada de veraneio e dezenas de escolas estaduais que precisam de reforma continuam à espera.
Durante o primeiro mandato de Simão Jatene como governador do Estado, de 2003 a 2006, Bragança não foi beneficiada com nenhuma obra relevante. Após mais de dois anos e meio à frente do Executivo, novamente e sem qualquer resposta positiva para Bragança, acreditava-se, na Pérola do Caeté, que, pelo menos a promessa de restaurar a antiga Escola Mâncio Ribeiro fosse cumprida.
Porém, nem mesmo o aniversário do município entusiasmou Jatene a contemplar os bragantinos sequer com a primeira fase do projeto de restauração iniciada. “Eu e centenas de bragantinos somos testemunhas de que na última caminhada da campanha passada, antes de descer para a feira, o governador Jatene prometeu, em frente ao Mâncio, a reforma do prédio. Depois, no dia da inauguração da iluminação da Igreja de São Benedito, vieram representantes do governador para exibir as maquetes no Teatro Museu da Marujada e até hoje nenhum prego foi enfiado”, reclamou o taxista Raimundo Casseb.
“Além do prejuízo ao nosso patrimônio histórico, o lugar virou um antro de marginais e todo o entorno se tornou perigoso pelos assaltos. E em troca, nos deu dois quilômetros de asfalto. Pelo amor de Deus, nós não somos tolos”, afirmou.
INSATISFAÇÃO
A insatisfação se estendeu da cidade até a praia, onde para se chegar, o caminho é tortuoso. Das quatro pontes de madeira que já deveriam ter sido entregues à população, apenas a que passa sobre o furo do Taicí, a primeira de quem vai da cidade para a praia, foi acabada, mas no mandato da ex-governadora Ana Júlia.
As demais pontes, que atravessam o furo da Ostra, do Meio, do Café e da Estiva, continuam causando medo e transtorno para quem trafega por lá. A dona de casa Gleice Ferreira Assis, 23 anos, moradora da vila do Bonifácio, em Ajuruteua, mostrou o transtorno que vive todas as vezes que precisa cruzar a ponte num ônibus lotado indo à cidade com as duas filhas, uma de 9 e a outra de 3 anos. “A menina de 3 anos, que ainda não tem noção do perigo me faz sentir medo por mim e por ela. Enquanto a outra, que já tem 9 anos, chora muito quando precisa ir a Bragança, com medo de atravessar as pontes. Ela só vai a Bragança quando está doente, para se consultar, obrigada, e chorando muito, com medo”, desabafou Gleice.
“Agora é torcer para que fique concluído o máximo possível antes de acabarem as férias de julho, porque depois disso, só no ano que vem porque vai haver eleição”, completou.
Escolas estão em condições críticas
A ponte sobre o furo da Ostra, que vem seguida da ponte do Taicí, no sentido de quem está indo para a praia, é a que oferece menos perigo pois uma das mãos já permite o acesso feito de maneira revezada pelos veículos que vão e vêm, promovendo enormes engarrafamentos, como ocorreu no sábado e domingo desta temporada. A que cruza o furo do Meio, teve uma das mãos pavimentada, porém, sem rampa de acesso para trafegar, os veículos são obrigados a usar a antiga estrutura de madeira, que está em péssimo estado de conservação.
Na ponte sobre o furo do Café, cuja estrutura está inteiramente comprometida, não resta sequer o guarda-corpo nas laterais. E, em plenas férias escolares, auge do movimento, os operadores ainda estão fazendo o serviço de bate estaca, prática que corresponde à fase inicial da fundação da obra. A ponte sobre o furo da Estiva, última antes de se chegar à praia, ainda não recebeu nenhuma espécie de reparo.
SEM ATENÇÃO
Para completar a decepção dos bragantinos, dezenas de escolas estaduais em estado crítico não receberam qualquer atenção do Governo do Estado, tanto na área urbana - sendo o histórico Mâncio Ribeiro o caso mais alarmante -, bem como na área rural, onde a cada ano se torna mais comum professores e alunos adotarem centros comunitários como espaço para aprendizado, devido ao sucateamento das instituições de ensino. A Escola Estadual de Ensino Fundamental Sílvio Costa, na comunidade de Nova Mocajuba, colônia do Montenegro, é um exemplo. Sem condições para o funcionamento, a pequena escola foi lacrada e as crianças passaram a estudar no espaço social, anexo à igreja da comunidade.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar