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Raio-X do PSM está parado desde setembro

Quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) em Belém tem sofrido. Se não bastasse a onda de paralisações dos profissionais que cobram da gestão pública melhores condições de trabalho, pacientes que procuram pelo atendimento de urgência e emergência sente

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Quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) em Belém tem sofrido. Se não bastasse a onda de paralisações dos profissionais que cobram da gestão pública melhores condições de trabalho, pacientes que procuram pelo atendimento de urgência e emergência sentem na pele a falta de estrutura. Quem procurou o Pronto Socorro do Guamá (Humberto Maradei), na manhã de ontem, por exemplo, não conseguiu sequer ter acesso a um exame considerado simples, o raio-X (radiografia).

O aparelho de raio-X, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), está quebrado desde setembro do ano passado e os pacientes que precisam fazer o exame são levados para outro hospital. No entanto, ontem, teve paciente que deixou a unidade sem conseguir diagnosticar o trauma porque não conseguiu fazer o exame.

“Olha e não é de hoje (ontem) não. Trouxe o meu irmão aqui no sábado e já tava assim. O pessoal diz que já é de muito tempo esse problema”, disse Carlito Rodrigues, que estava pela terceira vez, em três dias, na frente do hospital que atende urgência e emergência no bairro do Guamá.

“Viemos no sábado, pediram o raio-X. Não tinha. Mandaram a gente pro outro (PSM da 14). Vai e volta pra cá. Descobriram que é caso pra cirurgia e a médica queria que ele ficasse, mas não tinha onde ficar, só numa cadeira no corredor. Levamos pra casa, voltamos no sábado, levamos pra casa, voltamos hoje. Vamos esperar pra ver se dá um jeito”, diz Carlito à espera de informações do irmão Leandro Rodrigues Alves, 25 anos.

Vítima de um acidente de trânsito, Nilza Maria Almeida, 33 anos, também precisou procurar o PSM do Guamá. O choro que traduzia a dor de nada adiantou. “Ela vai ser atendida pelo trauma (traumatologista) e vamos aguardar a avaliação dele”, dizia uma enfermeira enquanto outro funcionário fazia outra indicação. “Melhor levarem logo pra 14. Aqui não tem o raio-X. Vai só demorar”. Nilza ficou.

RECLAMAÇÕES

Dez minutos depois estava de volta com mais lágrimas escorrendo pelo rosto e um papel branco na mão. “Não tem nada aí. Encaminharam pra 14”, informava o acompanhante. Queixando-se de dores na região do quadril, a paciente que foi atropelada por um automóvel na Mundurucus quando transitava de bicicleta, precisou ser realocada novamente no mesmo táxi que já ficou estacionado à espera da paciente na porta do hospital, já que a ambulância estava ocupada.

Mais cedo, a dona de casa Roseli Souza, sofrendo com falta de ar e dor no peito, fez a mesma peregrinação. Já na frente do Pronto Socorro da 14 de Março (Mário Pinotti), com o resultado do exame na mão, ela reclamava. “Aqui eles só fazem o exame. Dizem que como eu vim do Guamá, o médico de lá que tem que me avaliar. Custa um médico daqui dar uma olhada no meu exame e dizer logo o que eu tenho?”, desabafou Roseli.

“Pra ambulância você liga e eles logo perguntam. ‘Tá cortado? Tá atirado? Então não é caso pra gente’. Como se a gente não tivesse doente também e só resta a gente ficar pra lá e pra cá gastando dinheiro com táxi”, reclamou fazendo outra queixa, essa compartilhada por Faustino Silva.

“Eu tô com meus filhos aqui que sofreram um acidente de moto. Um é deficiente e quebrou o dedo do pé, o outro precisa de uma cirurgia e encaminharam para outro hospital. Tô com quatro viagens pra lá e pra cá e não resolvo porque lá no outro hospital não querem aceitar porque precisa de um exame da cabeça que não foi feito aqui”, explicou o pai dos rapazes que trouxe a família de Barcarena no sábado e até ontem o caso permanecia sem solução.

“Agora mandaram a gente ir para o Hospital Metropolitano. Disseram que aqui não fazem porque tá paralisado. Tão querendo cobrar R$40 de táxi e só hoje eu já gastei R$80”. O pai, já sem condições, levou a família de ônibus para o hospital Metropolitano, na rodovia BR-316.

Servidores tentarão falar com o secretário de Saúde

Hoje, os trabalhadores da saúde municipal farão um ato em frente à Sesma, para pedir uma reunião com o secretário municipal de Saúde, Yuji Ikuta, e deliberar sobre os novos rumos para o movimento, que reivindica melhores condições de trabalho.

Entre os pedidos dos servidores, está a reativação do laboratório do PSM da 14, que está parado há um ano, segundo a representante da Associação dos Servidores do PSM da 14, Rosana Rocha. Apenas alguns exames estão sendo feitos.

Rosana Rocha informou que o movimento PSM da 14 estava tranquilo na tarde de ontem. Porém, o tomógrafo não estava funcionando como deveria. “O aparelho funciona, mas não pode esquentar muito que para”, disse.

No PSM do Guamá, o movimento também foi bem menor que o registrado durante o período da manhã. Sentada na calçada, a dona de casa Silvana Santos lamentava ter trazido a mãe, uma idosa de 69 anos, do município de Acará, nordeste paraense, para tentar se curar de uma forte dor de cabeça que já dura semanas e ninguém consegue descobrir a origem.

“Ela está no soro, deram uma medicação. Mas disseram que não poderão fazer nada e nem internar porque ela não é daqui. O leito tem que ser solicitado no município de origem”, disse Silvana. Do lado de fora, Silvana se pegava em orações para conseguir a cura da mãe. “É triste porque o que mais a gente precisa é de saúde e nós não temos”, lamentou.

RESPOSTA

A assessoria de imprensa da Sesma confirmou que o aparelho de raio-X do PSM do Guamá está quebrado desde setembro do ano passado e informou que um processo licitatório para a compra de um novo aparelho está em fase de conclusão.

De acordo com a secretaria, nenhum paciente deixa de fazer o exame, pois quando há necessidade de se diagnosticar o trauma, eles são levados para outro hospital para a realização do exame

Segundo a nota, existem duas ambulâncias no hospital que fazem o transporte de pacientes que precisam sair para fazer os exames, mas alguns pacientes preferem não esperar e seguem por conta própria para o local dos exames. Na tarde de ontem, nenhuma ambulância foi vista em frente ou próximo à unidade.

Ainda segundo a Sesma, no PSM da 14, todos os exames de cabeça (raio-x e tomografia) estão sendo feitos normalmente não sendo necessário que o paciente saia do hospital para esses procedimentos.

(Diário do Pará)

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