Pedaços de papelão, cadernos, envelopes, sombrinhas. Tudo para amenizar o sol para os eleitores que aguardavam em uma imensa fila na entrada do depósito de urnas do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em Ananindeua, ontem. Obrigados a fazer o recadastramento biométrico até janeiro do ano que vem, muitos dos eleitores do município preferiram não deixar o compromisso para a última hora.
Preocupada com o possível sufoco se deixasse o recadastramento para depois, a doméstica Iranilda da Silva tomou um susto ao perceber que, mesmo procurando o recadastramento seis meses antes do fim do prazo, não estaria livre da longa espera. “Não tava esperando que estivesse assim. Pensei que eu ia conseguir resolver tudo dentro de uma hora, mas acho que só vou conseguir sair daqui de tarde”, previa, ao lembrar que já aguardava na fila sob o sol há uma hora.
Sem nada para se proteger contra o sol forte das 10h, o administrador Paulo Salles indignava-se com a falta de conforto. “Isso é um absurdo. O tribunal deveria ter mais condições para os eleitores e não expor senhoras e crianças a esse sol que sabemos que tem incidência de raios ultravioletas, raios cancerígenos”, reclamava, ainda no final da fila. “Nós somos obrigados a vir até aqui, então, deveriam oferecer o mínimo de conforto ao eleitor”.
Para conseguir aguentar o calor, a dona de casa Andréia Pinho aproveitava a sombrinha levada para o caso de chuva. Ela se preparava para aguardar o tempo que fosse necessário. “Quando cheguei aqui foi essa surpresa. A gente não tem nem como imaginar quando vamos poder sair porque nem sabemos como é que estão as coisas lá dentro”.
Do lado de dentro do depósito do TRE a situação de desconforto não era tão diferente. Apesar da amenização do calor e de cadeiras aos que aguardavam na fila, o barulho da impressora misturado aos gritos dos servidores que, sem auxílio de nenhum equipamento de amplificação do som, precisavam chamar pelos próximos eleitores incomodava mesmo a quem se mantinha no local por poucos minutos. De acordo com o chefe de cartório do TRE, Leonardo de Lima Rego, 38 guichês foram destinados para o atendimento dos eleitores. “Na nossa expectativa, desde o início do recadastramento, era de atender uma média de 1.300 pessoas por dia, mas nos dois primeiros meses o movimento foi pequeno, então, acreditamos que o movimento esteja maior porque esse déficit observado nos primeiros meses esteja se somando à expectativa inicial de 1.300 pessoas”, avaliou, ao lembrar que na última segunda-feira 2.200 pessoas haviam sido atendidas no local. “Acreditamos que cerca de 88% dos eleitores de Ananindeua ainda precisem fazer o recadastramento. O prazo encerra apenas no dia 25 de janeiro de 2014, mas recomendamos que as pessoas não deixem para vir perto do final do prazo. Se já está assim agora, imagina depois”.
Com a perspectiva de recadastrar os cerca de 280 mil eleitores de Ananindeua, Leonardo espera que a movimentação continue tão intensa como a observada na manhã de ontem. “Queremos que essa movimentação intensa se mantenha para que o fluxo possa ser diluído com o tempo até o final do prazo”, espera. “O objetivo é recadastrar 100% dos eleitores de Ananindeua”.
Com o novo título de eleitor nas mãos já por volta de 10h, a professora Neila Amador comemorava. Integrante da fila das prioridades por estar recém-operada, a professora precisou chegar às 7h para garantir o atendimento antes do final do dia. “Eu esperava que estivesse mais tranquilo porque é período de férias. Só consegui já estar com tudo resolvido a essa hora porque eu fui prioridade. O processo é rápido, o problema é a fila”, considerava, ao lembrar que, mesmo assim, ainda precisaria esperar. “Meu marido que entrou na fila comum ainda vai demorar muito para ser atendido”.
Também prevendo a demora, a aposentada Iza Oliveira usava um caderninho de palavras cruzadas como estratégia para aguentar a espera. “Já estou esperando há três horas aqui. O jeito é fazer uma palavra cruzada pra ver se distrai”.
(Diário do Pará)
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