Na iminência de uma entrevista de emprego, a arquiteta Milena Bueno foi surpreendida no momento em que abriu a torneira do chuveiro. Sem que uma gota sequer fosse jorrada, a moradora do bairro da Cremação se viu diante de um problema que, segundo ela, não é incomum no bairro. “Aqui é comum faltar água”.
Sem que a maioria das interrupções no abastecimento de água sejam planejadas ou informadas à população do bairro, Milena lembra que já enfrentou muitos desafios pela ausência do produto essencial para a maioria das atividades domésticas. “Teve um dia, recentemente, que faltou água a noite inteira e só veio voltar na tarde do dia seguinte”, recorda. “Falta água sem que avisem antes, a gente não tem como se prevenir e quando vai tomar banho de manhã para ir para o trabalho não tem água”.
Também morador da Cremação, o motorista Valdecir Munhós ainda lembra da última vez em que teve que conviver com a ausência de água nas torneiras. “Às vezes não sai nenhum anúncio de que vai faltar água e, quando falta, é o dia inteiro”, afirma. “Não consigo entender o que é isso porque tem um posto da Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará) aqui perto. Só sei que a conta não falha e se a gente não pagar, é corte!”
NADA DE ÁGUA
Preocupada em passar um café logo no início do dia, por vezes, a dona de casa Rosa Maria Silva também se vê impedida pela falta de água. Moradora da passagem Serique, no bairro da Pedreira, ela também afirma que há algum tempo precisa conviver com a interrupção do fornecimento de água. “Antes não era assim, antigamente não faltava. Hoje, a gente já amanhece sem água. Procuramos uma água pra fazer um café e não tem”, reclama, ao lembrar que, por vezes, a falta de água se dá no meio do dia. “A gente toma banho de manhã e daqui a pouco vai no banheiro de novo e não tem mais água, acabou. Nesse domingo mesmo que passou agora faltou água. Agora tá assim”.
Moradores buscam opções
Para solucionar o problema com a falta de água constante, o autônomo Elton Diogo da Silva instalou uma caixa d’água em casa há aproximadamente um mês. Ainda assim, mesmo com o problema resolvido em sua casa, ele acompanha os incômodos pelos quais os vizinhos continuam passando. “Decidimos comprar uma caixa d’água justamente para prevenir dessa falta de água. Aqui faltava água quase todos os dias. A gente paga pelo serviço e, às vezes, não vem. Quando vem, ainda é de má qualidade”, considera. “A caixa resolveu o nosso problema porque a gente sempre deixa cheia, mas a vizinhança sofre bastante com falta de água ainda”.
Já no bairro do Marco, às proximidades do canal da José Leal Martins, o autônomo Antônio Lima recorda que foi na segunda-feira a última vez que ficou sem água nas torneiras. “De vez em quando falta água por aqui”, diz. Acomodado ao lado da bica que jorra água de uma fonte na travessa Barão do Triunfo, também no Bairro do Marco, o aposentado Raimundo Martins Chaves já tem suas estratégias para garantir água todos os dias. “Aqui é um olho d’água. Isso aqui a gente usa para beber, cozinhar, é limpinha”.
Cosanpa esclarece
A Cosanpa informa que neste final de semana o sistema funcionou normalmente e que em casos de problemas, o consumidor deve acessar o 0800 70 71 195.
Está programado para iniciar em janeiro de 2014, um projeto de Redução de perdas que irá substituir 80 km de rede na zona central da cidade, isso vai reduzir o número de paralisações decorrentes de vazamentos.
Além disso, será feita a setorização da rede, que vai permitir que um problema seja isolado por quarteirão, não precisando parar um bairro ou vários bairros por um problema localizado. Outro avanço será a reforma do primeiro módulo da Estação do Bolonha construído na década de 80, que vai ampliar a capacidade de oferta de água para a população, resolvendo dessa forma o problema do abastecimento, não só em determinados bairros mas em toda a grande Belém.
(Diário do Pará)
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