O presidente do Sindicato dos Urbanitários do Pará, Ronaldo Romeiro, esteve ontem em Brasília em reunião com o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão. O encontro foi intermediado pela deputada federal Elcione Barbalho (PMDB/PA). Romeiro denunciou as demissões que estão sendo feitas na Centrais Elétricas do Pará (Celpa), desde que a Equatorial Energia assumiu o controle da empresa, em novembro de 2012. De acordo com o urbanitário, a nova holding já dispensou 300 trabalhadores. De 2.116 postos de trabalho, a Celpa passou para 1.800 e, segundo Romeiro, a intenção é que continue caindo.
O ministro Lobão disse que a tendência das empresas de energia é realizar programas de demissão voluntária para reduzir custos. Ele lembrou que a Eletrobrás, estatal que é acionária da Celpa, está fazendo um PDV em seu quadro e deve contratar mão de obra terceirizada para suprir futuras necessidades.
Ronaldo Romeiro alegou não concordar com esta ação já que a Celpa, segundo ele, é uma empresa “enxuta que gasta apenas 5% do que arrecada com funcionários”. Ele afirmou ao ministro que a Celpa também está contratando mão de obra terceirizada.
O presidente da Federação das Associações dos Municípios do Pará, Helder Barbalho (PMDB), também participou do encontro. Ele fez um apelo ao ministro: “Vamos tentar colocar as duas partes juntas para encontrar um consenso. Precisamos evitar uma nova greve da categoria. Não é justo que a população do Pará mais uma vez seja prejudicada por uma paralisação de um serviço essencial. Peço ao senhor ministro que nos ajude a conciliar os interesses”, pediu.
O ex-deputado Paulo Rocha (PT) também participou do encontro e lembrou ao ministro que não se pode atacar os direitos conquistados pelos trabalhadores. “Não nesse governo, que é um governo dos trabalhadores. Precisamos encontrar um equilíbrio”, completou.
A reunião contou também com a presença do prefeito de Altamira, Domingos Juvenil (PMDB) que, como presidente do Consórcio dos Municípios das obras de Belo Monte levou ao ministro Lobão apelo para que encontre diálogo junto ao consórcio Norte Energia, que não vem cumprindo com as condicionantes. Segundo Juvenil, nem um terço do que foi prometido em investimento foi feito nos municípios.
Juvenil denunciou também o descaso do Consórcio Construtor Belo Monte e da Norte Energia com o município de Altamira. Os construtores continuam se negando a pagar os impostos devidos ao município, uma briga que se arrasta há mais de dois anos. Eles querem a redução da alíquota de ISS de 4 para 2% e por isso só depositam em juízo, fazendo com que, todos os meses a prefeitura seja obrigada a recorrer à Justiça para receber os impostos.
Helder Barbalho lembrou ao ministro que Altamira é o município que está sofrendo o maior impacto com a chegada das obras de construção de Belo Monte. “O impacto é em Altamira, uma cidade que praticamente dobrou sua população. Ela fica com a falta de esgoto, falta de hospitais, de postos de saúde, de saneamento, vive em condições precárias pelo êxodo de mais de 50 mil pessoas nos últimos dezoito meses. Mas quem ganha é Vitória do Xingu, um pequeno município de pouco mais de nove mil habitantes, onde fica o canteiro das obras”.
Edson Lobão disse que o problema precisa ser resolvido e marcou uma reunião para a próxima terça, 16, entre os representantes dos consórcios, o prefeito Domingos Juvenil, representando o consórcio de prefeitos, o presidente da Famep, Helder Barbalho, o ex-deputado Paulo Rocha, a deputada federal Elcione Barbalho e o diretor da Eletrobrás, Valter Cardeal.
(Diário do Pará)
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