Mais denúncias envolvendo a Santa Casa de Misericórdia chegaram ao DIÁRIO ontem e, desta vez, pelo deputado estadual Carlos Bordalo, do PT, autor de um extenso relatório, em poder do Ministério Público Estadual (MPE) desde o ano passado, que discorre sobre a precariedade do serviço oferecido no hospital que é referência no atendimento materno-infantil de alta complexidade no Estado.
O deputado, que na Assembleia Legislativa (AL) preside a Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor (CDHDC), dentre outras situações, põe em xeque no documento o aumento do valor final do novo prédio da Santa Casa, orçado inicialmente em R$ 68 milhões, mas que terminou em R$ 122 milhões, segundo notícias veiculadas ontem no site do Governo do Estado. Bordalo cita ainda os serviços do Centro de Recuperação Nutricional (Cerenu) da Santa Casa, voltado a prematuros, que estariam parados há cerca de dois anos.
Em entrevista, o deputado afirmou que práticas implantadas no governo anterior foram colocadas de lado pela atual gestão estadual. “Parteiras e médicos recebiam treinamento e capacitação nos municípios para reforçar o tratamento pré-natal, essa foi uma das medidas adotadas para conter o surto de mortes que vinha ocorrendo, e que diminuiu consideravelmente até o ano passado”, relatou.
Em relação ao Cerenu, Bordalo faz uma ligação entre a suposta suspensão do serviço com as mortes dos mais de 40 bebês dentro do hospital somente em junho deste ano. “É uma ala responsável justamente por recuperar bebês prematuros e oferecer todo o suporte necessário para que se fortaleçam. Caso a unidade estivesse funcionando hoje, talvez nós não tivéssemos tantas mortes como a que estamos vendo nas últimas semanas”, lamentou.
O petista considerou um agravante na situação dessas mortes ocorridas dentro da Santa Casa a precária ala do hospital mostrada em denúncias pela RBATV e pelo DIÁRIO durante a semana só ter sido fechada a pouco mais de 10 dias, informação confirmada pelo próprio governo durante coletiva de imprensa realizada na tarde do dia 10, para responder ao que foi divulgado pelos veículos do grupo RBA.
“Nós não podemos afirmar com certeza, sem um parecer técnico que comprove, mas é natural pensar que em um ambiente insalubre e de livre circulação como aquele, os germes se espalhem com mais facilidade”, observou.
RELATÓRIO
Sobre os dados do relatório que se referem aos custos do novo prédio da Santa Casa, com funcionamento prometido para a segunda quinzena de agosto, Bordalo entende que há prioridade em infraestrutura desproporcional ao que se investe em qualidade de atendimento.
“Ninguém está afirmando que houve desvios de recursos. O que acontece é que o governo do Estado está fazendo um alto investimento em uma obra que poderia ser entregue por um valor inferior, priorizando outras questões, como a eficiência do serviço. Nós percebemos que ele quer entregar agora uma obra supermoderna, padrão Copa do Mundo, apenas para servir para a propaganda política no próximo ano”, disparou o parlamentar.
Bordalo critica atitude do governador
O deputado reprovou a atitude do governo em atacar abertamente o grupo RBA após a comprovação de que uma das imagens divulgadas na edição da última quarta-feira (10) do DIÁRIO creditada à Santa Casa era, na verdade, de outro hospital localizado em Honduras. “Ele retira o foco de atenção de problemas gravíssimos que existem hoje na Santa Casa tentando desmerecer a verdade contida nas outras imagens”, justificou.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) se pronunciou apenas sobre as denúncias relacionadas aos valores da nova Santa Casa. Na resposta, esclarece que a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) confirma que a obra foi iniciada em julho de 2009, com orçamento de R$ 68 milhões, e que ainda durante a gestão da governadora Ana Julia Carepa (PT), houve três aditivos ao contrato, elevando o orçamento para R$ 89 milhões.
PROJETO
Quando o governo Simão Jatene assumiu, segundo a nota, foi constatada a necessidade de adequações ao projeto original, o que gerou um novo contrato de R$ 32 milhões em função de todos os aditivos já terem sido utilizados pela gestão passada.
(Diário do Pará)
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